Há uma diferença subtil entre os
erros arrependidos e erros sentidos.
Aquilo que hoje percebo é que
existem 3 maneiras diferentes de viver os erros:
1) Nunca
ver neles um erro;
2) Vê-los
como erros e existir arrependimento de os ter cometido e
3) Reconhecer
os erros mas não sentir arrependimento por os ter cometido e não os sentir como
“errados”.
Hoje percebo que cada pessoa tem
a uma maneira própria de lidar com os seus erros, dentro desta escala de
padrões.
Hoje percebo que a evolução se dá
na medida como os encaramos.
As conclusões a que cheguei não
têm tanto a ver com as pessoas do padrão 1 - porque a única evolução delas só
se dará quando pelo menos conseguirem assumir os seus “erros”-, mas levam-me
sobretudo longe quanto ao padrão de tipo 2 e 3.
Enquanto o comportamento de tipo
2 admite os seus erros, extrai lições mas preferiria nunca os ter cometido, as
pessoas com comportamento do tipo 3, admitem os seus erros, extraem conclusões
mas – e este mas verdadeiramente as
distingue – não os vêm como “erros”, na pura acepção da palavra.
Neste tipo, “erros” são tidos
como imprevisibilidades de percurso, logo o “erro” não tem a carga dramática de
evitabilidade com que commumente é conotado.
Neste caso do tipo 3, o erro
passa a usar aspas porque, na sua definição, erro é uma incorrecção, uma inexactidão,
um engano… Então, para estas pessoas do tipo 3, o “erro” veste sempre aspas, porque nada do que se faz está
totalmente incorrecto ou inexacto. Assim
o uso da palavra erro, sem mais, não faz jus ao sentimento de aproveitamento
que, haja o que houver, se quer dar ao suposto “engano” praticado.
Apesar de ter “errado” muito, não
consigo ver nenhuma das minhas opções como mais do que isso. Foram para mim
apenas opções. Caminhos que escolhi. Que, podendo não ir dar ao mesmo destino,
invariavelmente, foram dar a um qualquer destino, onde eu precisava chegar!
Nenhum deles eu mudava ou
transformava. Voltava a cometê-los a todos outra vez só para ter o prazer de
aprender o que aprendi e de chegar a este ponto onde estou agora.
Esta subtil diferença dita pessoas
que vivem com pequenas ou razoáveis doses de culpa. Se é que faz sentido esta
palavra existir de facto!!! Mas isto são outros quinhentos…
Continuando: Isto dita, quanto a
mim, pessoas que vivem apenas com a simplicidade de aceitar o que foi (e não o
que era ou podia ser), sem culpas, nem reservas, sem se’s, nem falsas questões.
Aceitam porque foi! Aceitam
porque tinha de ser!
Aceitam porque não há certo nem
errado. Aceitam porque a cada momento fizeram (e fazem) aquilo que o seu nível
de consciência lhes permitiu fazer em determinadas circunstâncias e com o nível
de conhecimento que dispunham.
Aceitam porque sabem que voltarão
a “errar”, porque vivem no que é e
não no que devia ser, porque não há situações ideais nem perfeitas. Há circunstâncias
e decisões tomadas por humanos.
Há pessoas que aprendem e há
pessoas que – mais do que isso – evoluem e são felizes.
É uma subtil diferença mas para
mim faz toda!
Este texto foi escrito em
desacordo com o vigente acordo ortográfico.