segunda-feira, 30 de março de 2015

A partilha do silêncio

Às vezes perguntam-me: como consegues estar em casa em silêncio?
A pergunta é-me estranha!
Estar em silêncio é para mim tão natural como respirar…
Na verdade, é no silêncio que me encontro, é no silêncio que sou!

Não sei que confusão faz às pessoas o silêncio!
Questiono-me: o que temem nele?!

É que o silêncio não enche. O silêncio é vácuo. É vazio.
Percebo: o silêncio não as preenche!

O silêncio toma, conquista, entranha-se… É ténue, subtil e imenso.
É verdade o silêncio enche-te…de nada.

E vive-se tão habituado ao som corrido do movimento contínuo. De manhã à noite. O nosso mundo faz-se de barulho, de vozes, de ruído, de filhos, de música, de telemóveis, de televisões, de rádios, de agitação.

O ruído persegue-te porque ele não descansa e não cessa… E tu vais nessa!!

Em casa não pensas em silêncio, não jantas em silêncio, não cozinhas em silêncio, não bebes café em silêncio, não adormeces em silêncio…  
Já para não falar que nas horas em que trabalhas, não aí não há de todo silêncio…não trabalhas em silêncio, não almoças em silêncio…

Será que tu existes em silêncio?!
Quem és tu no silêncio?

O que és capaz de descobrir em somente 1 hora de absoluto silêncio?

Sem silêncio o meu mundo seria tão superficial… Tão despovoado de mim!
Confirma-se: Não sei viver sem ele.
O barulho que produzo durante o dia, a música que canto desgarradamente, as gargalhadas que se soltam de mim, tudo isso gera-se no silêncio da minha existência. A outra face, o lugar onde me descubro a mim e ao mundo.


No silêncio há tanto. Ouve-se tão bem.

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