sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Memórias de Fada :-)

Ontem à noite, já estava eu a agradecer tudo o que tenho na minha vida, quando me invadiu a imagem daquela saia de fada, de cetim rosa, com estrelas de papel de prata coladas, do chapéu pontiagudo feito de cartolina forrada do mesmo cetim rosa e da varinha com uma estrelinha colada na ponta de uma grande agulha de tricot…
Tinha 4 ou 5 anos, não mais e era tempo do festim escolar da Carnavalada …
No momento em que esta imagem me atravessa o espírito vem com ela uma profunda sensação de alegria e bem-estar, afinal aquela vestimenta, que fez de mim fada por um dia, era toda ela um acto de amor…
Ontem, vi-me naquela noite de véspera carnavalesca, radiante, de volta da minha mãe a examinar, com este ar expectante e ansioso (que ainda hoje me caracteriza J ), tudo o que ela fazia para conseguir costurar-me numa noite aquela saia.
Não vi muito na verdade, porque já era noite, a minha mãe e o meu pai tinham trabalhado todo o dia e para mim estava perto da hora de ir dormir!
Mas lembro-me da fita métrica, à volta da cintura e de cima a baixo e de baixo para cima e de achar tudo aquilo maravilhoso e mágico!
Apesar da tenra idade eu sabia que aquilo era um acto de magia! Estava certa!
A minha mãe encarregou-se da saia e o meu pai, que sempre foi um verdadeiro artista dos trabalhos manuais, concebeu o chapéu alto e pontiagudo, digno de uma fada à séria.
Desse não me lembro dos preparativos, mas calculo que também me tenham medido a cabeça J.
Conhecendo-me tão bem como conheço, nessa noite devo ter-me deitado com uma excitação endiabrada! Não confirmei isso ainda mas posso adivinhar a resposta.
O que me lembro mesmo é de me sentir muito feliz a ver aquela grande azáfama de final de dia por causa de uma coisa: a minha vestimenta!
Bem ou mal lá devo ter adormecido porque no dia seguinte acordei cheia de energia (lembro-me bem) e imediatamente a minha mãe me mostrou a fatiota, perguntando se gostava…
Ainda hoje sinto uma luz aquecer-me por dentro quando penso nesse momento… Estava tudo lindo…
A sainha rosa estendia-se até aos pés, tinha um elástico cosido na cintura que perfeitamente se ajustou a ela, tinha estrelinhas coladas feitas de papel de prata que a salpicavam de brilho…
O chapéu, o que outrora fora uma mera e simples cartolina era agora um cone alto e pontiagudo que ousava rasgar o céu e perfeitamente forrado com o mesmo tecido de cetim rosa!!!
E para finalizar, num acto de puro empoderamento, foi colocada na minha rechonchudinha mão direita, a varinha! Uma agulha de tricot, com uma estrela de papel na ponta, perfeitamente recortada e cintilante. Achei uma imensa graça aquele pormenor. Divertido mesmo!
Vi a alegria na cara dos meus pais quando saí de casa para ir para a escola, naquele momento de revelação da fada ao mundo e, acreditem ou não, senti o peito cheio de gratidão por tudo aquilo!
Percebi instantaneamente que os meus pais tinham feito todo aquele trabalho durante a noite, roubando de si horas de sono, para me darem um sonho…
E devo agora dizer-vos que nesse dia deram-me muito mais que o sonho, que um vestido de fada representa para uma menina de 4 ou 5 anos… Nesse dia o que eu gostei mesmo foi de sentir a dedicação e o amor que tinham feito tudo aquilo ser possível. Sim, eu senti isso. Essa energia avassaladora…E isso fez brilhar a menina fada!
Eu era a fada mas tinham sido os meus pais a fazer magia!! J
Magnífica visão a de ontem à noite… estava meio esquecida ou pelo menos há muito que não me visitava o consciente. E deixou-me tão feliz!
Percebi logo após este sentimento, que desde então nunca mais eu largara a fada e minha varinha de condão… Os meus pais tinham-me abrilhantado e empoderado para sempre…
Aquela noite deixou em mim marcas profundas que posso resumir assim: AMOR e GRATIDÃO.
Existiu em tempos uma fotografia tirada na escola nesse dia que, modestamente – posso presumir – retratou a minha alegria dentro daquele vestido.
Mas o melhor álbum é o que desfolho com o pensamento e esta memória está cristalizada em mim. De tão forte não corre o risco de ser perdida.

Grata aos meus pais, pela lição.
Bem Hajam.

Maura

3 comentários:

  1. Eu é que agradeço por tudo, por existires, por seres quem és, sim minha fada, o amor move montanhas, pessoas, animais, o mundo!!!! Obrigada, beijinho grande do tamanho do mundo.

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  2. Eu sabia!! Uma fadinha... Cruzou o meu caminho!!

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  3. Obrigado pelo agradável e feliz pedaço da nossa infelizmente breve história coletiva. Procurei e encontrei facilmente esta pasta no arquivo da memória e talvez pelo pó dos anos a vista foi-se-me turvando à medida que folheava os sentimentos, ao ponto de até as mais cintilantes estrelas se tornarem difíceis de ver...
    Desejo-te para todos os dias um Natal !

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