sábado, 30 de janeiro de 2016

Olá, bom dia e o processo de osmose.

Dizem de mim que sou uma pessoa aberta, daquelas que facilmente convida para si os outros. Daquelas que abre portas em vez de janelas, daquelas que conversa e faz amizade com qualquer estranho.
Verdade é que não posso negar isso. Não tenho como!
Podia relatar episódios sem fim de conversas que tive com ilustres desconhecidos (até então), pessoas com quem me cruzei na casualidade (ou talvez não) da vida.
Isso vale-me não só muitos, mas bons amigos.
Uns terão sido conversas de passagem, outros tornaram-se objecto de interacção habitual.
Seja como for, não saberia estar na vida de outra maneira porque os outros são o meu elo com o mundo.
Deve ser por isso que amo pessoas. E tenho um orgulho imenso em senti-lo e dizê-lo, porque para mim as pessoas são o princípio e o fim de tudo…
Há uns anos atrás deixei o prédio onde vivi 3 anos (um record, acreditem…) e foi para lá viver a minha mãe. Passado um mês de lá estar a minha mãe já conhecia meio bairro, não por ela, mas porque meio bairro tinha perguntado por mim…
Disse-me, como frequentemente diz: “Tu realmente falas com toda a gente!! Desde a senhora da limpeza do prédio, a vizinhos de todos os andares, ao sr. do café, às senhoras que passeiam os cães no outro quarteirão e ao senhor que varre a rua….!”
A mim espanta-me o contrário!
Como se poderá viver 3 anos no mesmo sítio sem conhecer/saber de quem nos rodeia?!

Sim, faço questão de cumprimentar e mostrar o meu melhor sorriso à senhora que limpa o “meu” prédio e a “minha” porta, ao senhor que  me serve o café ou o pequeno almoço ao fim-de-semana no café da esquina, à senhora que se cruza comigo quando os nossos cães se cheiram mutuamente, ao senhor que me ajuda a manter o meu bairro limpo…

Do bom dia e do sorriso aos dois dedos de conversa vai um passo…e é nesse passo que construo desinteressadas relações.
São desinteressadas só num certo sentido, porque, na verdade, interessam-me as pessoas.
Não é que me interesse a vida delas, mas interessam-me elas. Interessam-me as suas histórias, as suas vivências, as suas motivações, as suas dificuldades, as suas visões, o seu ser…
Interessa-me o que elas me ensinam, o que aprendo com elas sem saberem, o que deixam em mim involuntariamente, as referencias que crio por identificação ou contraposição.
Interessam-me sempre, mesmo que sejam muito diferentes de mim!
Sim, interessa-me o que sente alguém que passa por mim triste enquanto caminho para despejar o lixo, interessa-me a felicidade de um vizinho que canta à janela quando saio do carro, interessa-me a velhota de mercearia que vai deixar o negócio porque a renda é cara, interessa-me a senhora que vai passear o cão e que alimenta todos os gatos errantes dali… Interessa-me sim. Os outros importam-me. A qualquer lado que vá.
Relaciono-me transparentemente e sem medos. Não temo nada nas pessoas, nada nelas me assusta. Não me assusta os seus julgamentos, a sua maneira diferente de mim, não me assusta estarem sujos ou limpos, ou não saberem falar elaboradamente, ou serem de outra cultura, ou terem intenções que extravasem o meu interesse por elas.
Portanto, à partida, somos – e seremos – duas pessoas, dois semelhantes. Sem muros nem obstáculos.
Talvez esta maneira receptiva de estar tenha gerado em mim uma habilidade para conhecer as pessoas ou talvez essa habilidade tenha nascido comigo. Verdade é, que sinto que tenho a capacidade de as entender, de as sentir como são, de estar nelas, de ser quase elas por instantes, sendo o que elas são, sentindo o que elas sentem. De me meter na posição delas, sem nunca sair de mim e do que sou.
Um estado de osmose que confesso não saber explicar bem, muito mais intuitivo que racional.
Com o desenvolver da minha dimensão espiritual adquiri até uma nova sensação: Elas são uma extensão de mim. Como que um eu fora de mim. Talvez um eu numa outra versão!!!
Mas isto, isto daria muito que escrever…e para já contento-me em dizer que sou uma pessoa de pessoas, que para mim é fascinante viver rodeada de gente – ainda que desconhecida.
Hoje fico feliz de viver rodeada de gente até calada, porque passados anos de recolha de detalhada informação a minha base de dados é rica, extensa e variada e hoje até no seu silêncio as pessoas falam comigo… Sei-as até no que fica por dizer…

A qualquer lado que vá tenho em mim uma porta aberta porque na verdade que conheço, em mim e nos outros não existem recantos…

Namaste.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Melhor que podemos Ser

A primeira vez que ouvi falar de "self actualizing people", foi através desse verdadeiro mestre que foi Dr. Wayne Dyer. Lia eu as primeiras páginas do seu livro "I Can see clearly now" (infelizmente, tanto quanto sei, ainda não traduzido para português).
Fiquei ligada a esta ideia de "self-actualizing people", pessoas que tem uma tendência inata para serem o melhor que podem ser, inconvencionais, diferentes da maioria das pessoas, porque pensam fora dos padrões instituídos e institucionalizados. Fez eco em mim o conceito.
Identifiquei-me, de alguma forma, com aquela descrição.

Dyer definiu-as como pessoas que procuram ser o melhor que esta ao seu alcance ser, que se empenham em ser a melhor versão de si mesmas.
Imediatamente o que me perpassou o pensamento é que o mundo seria com certeza um lugar melhor se todos vivessem nessa melhor versão de si.
Cada um de nós individualmente tem um potencial por explorar, que pode fazer uma notável diferença na vida de todos nós em colectivo.
Imagina a melhor versão de ti e diz-me se não vês uma pessoa mais paciente ou mais tolerante ou mais esclarecida ou mais decidida ou mais carinhosa ou mais sociável, ou mais cuidadosa ou mais atenta ou mais satisfeita ou mais alegre ou mais magra ou mais gorda ou... o que quer que seja o melhor que esta ao teu alcance ser...
Tenho por certo que se todos nós investíssemos em ser o melhor de nós, seriamos todos pessoas mais felizes.
Pessoas mais realizadas e mais completas, são sempre pessoas mais felizes.
Então o que nos vem impedindo de ser assim? - pergunta que parece impor-se.
Várias limitações nos afastam do nosso potencial.  Todas criadas por nós, invariavelmente.
Tenhamos nós a coragem de admitir isto e metade do caminho fica feito...
Mas como admitir que podemos fazer mais por nos mesmos se, provavelmente nem estamos conscientes de nós?
Diria pois que, primeiro que tudo, é preciso que cada pessoa se entenda a si mesma, que se conheça, que olhe no espelho do seu ser e se veja.
Um espelho só reflecte o que lhe é mostrado. Mostremo-nos a nós próprios exactamente como somos e queiramos ver as nossas virtudes, os nossos pontos fortes, as nossas capacidades e talentos, vendo também com toda a honestidade os nossos defeitos, os nossos pontos fracos, as nossas dificuldades e os nossos medos...
Com isto estaremos perante a figura mais fiel de nós, não é mais um esboço, um desenho, nem uma pintura. Não é mais uma realidade retratada por alguém exterior a nós. Somos nós.
Aqui chegados é agora mais claro o que podemos melhorar, que aspectos de nós podemos elevar a outro nível, o que ainda podemos desafiar em nós, o que podemos tentar fazer diferente para chegar a um resultado melhor. Um resultado que melhor nos sirva, que nos torne efectivamente melhores seres no nosso dia-a-dia.
Enchamo-nos de coragem para matar os nossos monstros, vencer os medos que nos dominam e perceber por que porta entraram em nós.
As portas pelas quais os nossos medos acedem chamam-se crenças.
Tudo está no que nos acreditamos ser verdade.
Se acreditamos que não somos bons na nossa profissão, nunca seremos mais que razoáveis, na melhor das hipóteses!
Se acreditarmos que somos motoramente descordenados ou desajeitados nos nossos movimentos nunca tentaremos dançar ou fazer ginástica rítmica. Poderemos, eventualmente, ter deixado para trás uma brilhante carreira.
Se acreditarmos que não sabemos socializar nunca seremos boas companhias, porque estaremos  fechados em nós, num jogo de permanente defesa que nos isola de  todas as infindas possibilidades que conhecer novas pessoas nos traz...
Tudo isso em que acreditamos, acreditamos por uma razão. Temos efectivamente razões históricas para acreditar em tudo  o que acreditamos.
Foi-nos ensinado, foi-nos socialmente imposto ou induzido/introduzido no nosso subconsciente por infindos hábitos (culturais ou familiares) e processos repetitivos.
Claramente a criança a quem os pais chamavam de estúpida quando errava vai ser um adulto com uma crença ao nível da sua identidade que o faz acreditar não ser capaz.
Da mesma forma, a criança a quem foi transmitido, ainda que indirectamente, que uma profissão artística não tem futuro, crescerá com uma crença ao nível do comportamento, que fará com que não seja um adulto bem sucedido no mundo das  artes - e muito, muito provavelmente – tão pouco se dedicará ao assunto. 
Enfim, os exemplos podem multiplicar-se para dizer que o nosso sistema de crenças influi determinantemente na forma como estamos no mundo.
Então das premissas tiramos a conclusão: para chegarmos ao melhor de nós teremos que descartar as velhas crenças que já não nos servem (ou nunca serviram).
É provável que neste processo nos tenhamos reinventado e tomado uma nova forma.
Mas será a única maneira de termos a certeza que não ficaremos aquém de nos próprios.
Viver da e na nossa melhor versão, em última instancia, é um dever de gratidão para com a nossa existência.
Os "selfmade man/woman" de hoje são "self actualized people", que se "auto-fazem", começando em si a construção de um mundo melhor.
Namaste



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

EPIFANIA

A cada ano que passa há uma epifania em mim.
É tão sentida esta sensação de algo de novo ter ficado depositado no meu ser.
Caminhos cruzados e escolhas feitas e todos eles foram como que negativos revelados em mim.
Cada circunstância, momento e pessoa ficaram impressos em mim… Cada um e todos juntos me trouxeram A lição. A que tinha que ser aprendida, mesmo que eu achasse que não!
Cada pessoa, cada gesto. Céus, está tudo agora em mim, - aqui -!

Aprendo, somo, recolho, colecciono.
Eu sou a soma de todas as coisas que se deram a mim.
E a minha história faz-se do agora que vou passando.
E fecho o ano em gratidão, por tudo, sem excepção. Sentindo que em cada vai e vem eu encontrei um balanço (ou um baloiço J ).

E outro ano começa de novo. Vivo para tudo como se fosse a primeira vez, estreando o mundo com um novo olhar, com novo sentir.
Redescubro na vida a surpresa de nada saber, de nada controlar e, na verdade, de nada querer.
Que tudo venha quando assim tiver que ser.
Cheia, provida de amor por mim e pelos demais, agarro o tempo sabendo que ele não se repete e pronta para as revelações, desafios e momentos que farão a próxima epifania.
Porque o tempo não se repete e a vida também não.


Sejamos hoje tudo o que podermos ser e nunca ficaremos aquém do que aqui viemos ser.