quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Melhor que podemos Ser

A primeira vez que ouvi falar de "self actualizing people", foi através desse verdadeiro mestre que foi Dr. Wayne Dyer. Lia eu as primeiras páginas do seu livro "I Can see clearly now" (infelizmente, tanto quanto sei, ainda não traduzido para português).
Fiquei ligada a esta ideia de "self-actualizing people", pessoas que tem uma tendência inata para serem o melhor que podem ser, inconvencionais, diferentes da maioria das pessoas, porque pensam fora dos padrões instituídos e institucionalizados. Fez eco em mim o conceito.
Identifiquei-me, de alguma forma, com aquela descrição.

Dyer definiu-as como pessoas que procuram ser o melhor que esta ao seu alcance ser, que se empenham em ser a melhor versão de si mesmas.
Imediatamente o que me perpassou o pensamento é que o mundo seria com certeza um lugar melhor se todos vivessem nessa melhor versão de si.
Cada um de nós individualmente tem um potencial por explorar, que pode fazer uma notável diferença na vida de todos nós em colectivo.
Imagina a melhor versão de ti e diz-me se não vês uma pessoa mais paciente ou mais tolerante ou mais esclarecida ou mais decidida ou mais carinhosa ou mais sociável, ou mais cuidadosa ou mais atenta ou mais satisfeita ou mais alegre ou mais magra ou mais gorda ou... o que quer que seja o melhor que esta ao teu alcance ser...
Tenho por certo que se todos nós investíssemos em ser o melhor de nós, seriamos todos pessoas mais felizes.
Pessoas mais realizadas e mais completas, são sempre pessoas mais felizes.
Então o que nos vem impedindo de ser assim? - pergunta que parece impor-se.
Várias limitações nos afastam do nosso potencial.  Todas criadas por nós, invariavelmente.
Tenhamos nós a coragem de admitir isto e metade do caminho fica feito...
Mas como admitir que podemos fazer mais por nos mesmos se, provavelmente nem estamos conscientes de nós?
Diria pois que, primeiro que tudo, é preciso que cada pessoa se entenda a si mesma, que se conheça, que olhe no espelho do seu ser e se veja.
Um espelho só reflecte o que lhe é mostrado. Mostremo-nos a nós próprios exactamente como somos e queiramos ver as nossas virtudes, os nossos pontos fortes, as nossas capacidades e talentos, vendo também com toda a honestidade os nossos defeitos, os nossos pontos fracos, as nossas dificuldades e os nossos medos...
Com isto estaremos perante a figura mais fiel de nós, não é mais um esboço, um desenho, nem uma pintura. Não é mais uma realidade retratada por alguém exterior a nós. Somos nós.
Aqui chegados é agora mais claro o que podemos melhorar, que aspectos de nós podemos elevar a outro nível, o que ainda podemos desafiar em nós, o que podemos tentar fazer diferente para chegar a um resultado melhor. Um resultado que melhor nos sirva, que nos torne efectivamente melhores seres no nosso dia-a-dia.
Enchamo-nos de coragem para matar os nossos monstros, vencer os medos que nos dominam e perceber por que porta entraram em nós.
As portas pelas quais os nossos medos acedem chamam-se crenças.
Tudo está no que nos acreditamos ser verdade.
Se acreditamos que não somos bons na nossa profissão, nunca seremos mais que razoáveis, na melhor das hipóteses!
Se acreditarmos que somos motoramente descordenados ou desajeitados nos nossos movimentos nunca tentaremos dançar ou fazer ginástica rítmica. Poderemos, eventualmente, ter deixado para trás uma brilhante carreira.
Se acreditarmos que não sabemos socializar nunca seremos boas companhias, porque estaremos  fechados em nós, num jogo de permanente defesa que nos isola de  todas as infindas possibilidades que conhecer novas pessoas nos traz...
Tudo isso em que acreditamos, acreditamos por uma razão. Temos efectivamente razões históricas para acreditar em tudo  o que acreditamos.
Foi-nos ensinado, foi-nos socialmente imposto ou induzido/introduzido no nosso subconsciente por infindos hábitos (culturais ou familiares) e processos repetitivos.
Claramente a criança a quem os pais chamavam de estúpida quando errava vai ser um adulto com uma crença ao nível da sua identidade que o faz acreditar não ser capaz.
Da mesma forma, a criança a quem foi transmitido, ainda que indirectamente, que uma profissão artística não tem futuro, crescerá com uma crença ao nível do comportamento, que fará com que não seja um adulto bem sucedido no mundo das  artes - e muito, muito provavelmente – tão pouco se dedicará ao assunto. 
Enfim, os exemplos podem multiplicar-se para dizer que o nosso sistema de crenças influi determinantemente na forma como estamos no mundo.
Então das premissas tiramos a conclusão: para chegarmos ao melhor de nós teremos que descartar as velhas crenças que já não nos servem (ou nunca serviram).
É provável que neste processo nos tenhamos reinventado e tomado uma nova forma.
Mas será a única maneira de termos a certeza que não ficaremos aquém de nos próprios.
Viver da e na nossa melhor versão, em última instancia, é um dever de gratidão para com a nossa existência.
Os "selfmade man/woman" de hoje são "self actualized people", que se "auto-fazem", começando em si a construção de um mundo melhor.
Namaste



1 comentário:

  1. Acho que a maioria das pessoas não se vê a si mesma. E contra mim falo... Não é fácil esse exercício de "nos vermos". Mais complicado ainda é conseguirmos mudar aquilo que anos sem fim nos fizeram ser. Sendo que, estou convicta, que parte do somos vem da nossa maneira de ser... Por isso, ainda é mais complicado alterar...
    bj

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