Dizem de mim que sou uma pessoa aberta, daquelas que
facilmente convida para si os outros. Daquelas que abre portas em vez de
janelas, daquelas que conversa e faz amizade com qualquer estranho.
Verdade é que não posso negar isso. Não tenho como!
Podia relatar episódios sem fim de conversas que tive com
ilustres desconhecidos (até então), pessoas com quem me cruzei na casualidade (ou talvez
não) da vida.
Isso vale-me não só muitos, mas bons amigos.
Uns terão sido conversas de passagem, outros tornaram-se
objecto de interacção habitual.
Seja como for, não saberia estar na vida de outra maneira
porque os outros são o meu elo com o mundo.
Deve ser por isso que amo pessoas. E tenho um orgulho imenso
em senti-lo e dizê-lo, porque para mim as pessoas são o princípio e o fim de
tudo…
Há uns anos atrás deixei o prédio onde vivi 3 anos (um record,
acreditem…) e foi para lá viver a minha mãe. Passado um mês de lá estar a minha
mãe já conhecia meio bairro, não por ela, mas porque meio bairro tinha
perguntado por mim…
Disse-me, como frequentemente diz: “Tu realmente falas com toda
a gente!! Desde a senhora da limpeza do prédio, a vizinhos de todos os andares,
ao sr. do café, às senhoras que passeiam os cães no outro quarteirão e ao
senhor que varre a rua….!”
A mim espanta-me o contrário!
Como se poderá viver 3 anos no mesmo sítio sem conhecer/saber
de quem nos rodeia?!
Sim, faço questão de cumprimentar e mostrar o meu melhor
sorriso à senhora que limpa o “meu” prédio e a “minha” porta, ao senhor que me serve o café ou o pequeno almoço ao
fim-de-semana no café da esquina, à senhora que se cruza comigo quando os
nossos cães se cheiram mutuamente, ao senhor que me ajuda a manter o meu bairro
limpo…
Do bom dia e do sorriso aos dois dedos de conversa vai um
passo…e é nesse passo que construo desinteressadas relações.
São desinteressadas só num certo sentido, porque, na verdade,
interessam-me as pessoas.
Não é que me interesse a vida delas, mas interessam-me elas.
Interessam-me as suas histórias, as suas vivências, as suas motivações, as suas
dificuldades, as suas visões, o seu ser…
Interessa-me o que elas me ensinam, o que aprendo com elas
sem saberem, o que deixam em mim involuntariamente, as referencias que crio por
identificação ou contraposição.
Interessam-me sempre, mesmo que sejam muito diferentes de
mim!
Sim, interessa-me o que sente alguém que passa por mim triste
enquanto caminho para despejar o lixo, interessa-me a felicidade de um vizinho
que canta à janela quando saio do carro, interessa-me a velhota de mercearia
que vai deixar o negócio porque a renda é cara, interessa-me a senhora que vai
passear o cão e que alimenta todos os gatos errantes dali… Interessa-me sim. Os
outros importam-me. A qualquer lado que vá.
Relaciono-me transparentemente e sem medos. Não temo nada nas
pessoas, nada nelas me assusta. Não me assusta os seus julgamentos, a sua
maneira diferente de mim, não me assusta estarem sujos ou limpos, ou não
saberem falar elaboradamente, ou serem de outra cultura, ou terem intenções que
extravasem o meu interesse por elas.
Portanto, à partida, somos – e seremos – duas pessoas, dois
semelhantes. Sem muros nem obstáculos.
Talvez esta maneira receptiva de estar tenha gerado em mim
uma habilidade para conhecer as pessoas ou talvez essa habilidade tenha nascido
comigo. Verdade é, que sinto que tenho a capacidade de as entender, de as
sentir como são, de estar nelas, de ser quase elas por instantes, sendo o que
elas são, sentindo o que elas sentem. De me meter na posição delas, sem nunca sair
de mim e do que sou.
Um estado de osmose que confesso não saber explicar bem,
muito mais intuitivo que racional.
Com o desenvolver da minha dimensão espiritual adquiri até
uma nova sensação: Elas são uma extensão de mim. Como que um eu fora de mim.
Talvez um eu numa outra versão!!!
Mas isto, isto daria muito que escrever…e para já contento-me
em dizer que sou uma pessoa de pessoas, que para mim é fascinante viver rodeada
de gente – ainda que desconhecida.
Hoje fico feliz de viver rodeada de gente até calada, porque
passados anos de recolha de detalhada informação a minha base de dados é rica,
extensa e variada e hoje até no seu silêncio as pessoas falam comigo… Sei-as até
no que fica por dizer…
A qualquer lado que vá tenho em mim uma porta aberta porque
na verdade que conheço, em mim e nos outros não existem recantos…
Namaste.
A descrição corresponde à realidade! Um degrau de uma escadaria de um prédio... Meia hora de espera e a "osmose"! Um Ser maravilhoso que faz parte da minha essência... não a partir desse dia mas de há muitas outras unidades de medir o tempo... O deus do meu coração saúda o deus do teu coração... _/\_
ResponderEliminarQuerida Virgy, obg por me leres e me sentires também. Saudades minha Amiga. Adoro-te ❤️
ResponderEliminarPois é verdade filha, já nasceste assim, o resto desenvolveu crescendo.beijinho grande ly
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