sábado, 6 de fevereiro de 2016

Há sítios onde vamos sozinhos.

No meio de um acalorado arguir de pretensas razões, vulgo, troca acesa de pontos de vista opostos, vulgo mais ainda, conversa discordante a roçar a discussão, dei por mim a chegar a uma sábia conclusão !!!
Assim para começar ainda achei estranho tal clarividência logo a meio de um processo inequivocamente doloroso, mas logo percebi: a minha mente tinha feito um atalho!
Na verdade o atalho mais não foi que a consciencialização a frio da “Lei da Acção e Reacção”, aquela que Newton descobriu há uns séculos atrás e que determina que para cada acção existirá uma reação oposta e de mesma intensidade. 
Considerando que esta lei só é aplicável à esfera material e não interpessoal (Newton deve tê-la descoberto literalmente a meio de uma batalha campal) talvez seja melhor aqui invocar a Lei da Causa e Efeito, essa sim mais a propósito das relações intra e interpessoais e que diz basicamente a mesma coisa mas aplicável a condições/situações, ou seja, condições específicas inevitavelmente levam a resultados correspondentes.
Pois bem, conversa vai, conversa vem e a dada altura quis testemunhar aquilo de fora. Fiz esse exercício mental e aí, nesse instante deu-se a clarividência: havia um movimento “looping” naquela interacção. Ou “boomerang” ou círculo-vicioso…Qualquer uma das imagens serve para ilustrar a coisa…
Tanto eu como o meu interlocutor estávamos a reagir emocionalmente, baseando-nos num padrão estímulo-resposta, sobre o qual nenhum de nós estava a ter controlo.
O meu comportamento e postura tinham tocado numa âncora inconsciente do meu interlocutor despoletando nele uma resposta negativa.
Âncoras inconscientes são aquelas âncoras emocionais que todos nós temos e que, tal como o nome sugere, de tão fundadas não nos deixam mover dali. São emoções que temos associadas/agregadas a determinado comportamento de outrem ou a um determinado evento externo.
Esse comportamento ou evento está gravado e arrumado na mesma gaveta da emoção que ele despoleta, pelo que, sempre que se regista o primeiro (comportamento/evento externo) somos tomados pela emoção que lhe está inconscientemente associada.
Uma vez feita a faísca a emoção negativa manifesta-se!
Pois bem, eu tinha com um determinado comportamento, accionado um desses “trigger points” (gatilhos) do meu interlocutor, o que desencadeou uma resposta negativa, agindo de uma determinada maneira...Maneira essa que seguidamente accionou um dos meus “trigger points”, sucedendo-se a minha reacção negativa ao estímulo apresentado.
Aqui está o efeito “looping/boomerang ou vicioso”.
1º estágio – A resposta do meu interlocutor a qualquer coisa no meu comportamento.
2º estágio - A minha reacção àquele inexplicável humor. Inexplicável porque não tinha ideia de que o meu comportamento tinha iniciado aquele processo emocional.
Portanto, agora estou a reagir à reacção dele..
E adivinhem: A pessoa vai reagir à minha reacção!
O meu interlocutor não conseguiu identificar que estava a reagir em função do meu comportamento, ficando irritado e eu passei a estar irritada também porque o comportamento da pessoa (expressões faciais, postura e palavras) tocou cá o sino que diz que aquilo é “desconsideração” e, por sua vez, accionou o meu gatilho. Disparei.
Não fosse a clarividência "Newtoniana" e o círculo tinha-se perpetuado por mais uns quantos tiros certamente…

A única maneira de sair do círculo é trazer a emoção à consciência e perceber friamente que, de parte a parte, a coisa se deu porque houve emoções incapazes de ser contidas, que foram instantânea e automaticamente desencadeadas pelo comportamento de outrem.

Âncoras emocionais não trazidas ao consciente podem ser seriamente nefastas em todas as relações que construímos! Tudo espremido é este o sumo.

A melhor maneira de dissolver estas âncoras é mesmo despertar para a sua existência em nós porque uma vez conhecidas elas perdem grande parte do seu poder e influência (mais uma vez a dita lei da causa-efeito).

Vale a pena então pensarmos que âncoras temos e a que comportamentos/factos ou eventos externos estão associadas, lembrando-nos que só nós somos responsáveis pelas nossas emoções a cada momento e a cada circunstância.

Por mais voltas que demos, nós - e  apenas nós - somos responsáveis pelos nossos meandros. E no que toca às nossas emoções, (com ou sem Newton à mistura) há sítios onde vamos sozinhos.


Namaste.