terça-feira, 13 de dezembro de 2016

13 Dez. 2016

O número é redondo: 35. A quantidade de primaveras a florescer em mim.
Faço um balanço. A cada ano neste dia olho para trás. Retiro-lhe a saudade. Gosto de olhar para trás como espectadora de mim mesma, sem que o apego me tome, sem me confundir com o sujeito da história – que afinal sou eu.
Olho como se atrás de mim visse resvalar uma Íngreme escadaria, em que cada momento do passado é um degrau dessa escadaria que me levou onde estou.
Delicia-me o que ficou para trás e hoje cumpre-me seriamente agradecer à vida todos os presentes que me tem dado: as lágrimas e os sorrisos, os dramas e as comédias.
Acho que o que eu agradeço mesmo é isto, esta capacidade aprendida de saber agradecer as lágrimas e as dificuldades. E assim sendo, não há nada que mudasse porque nestes 35 anos fui abençoada pela consciência de saber que tudo esteve e está no devido sítio.
Por dentro, num nível muito íntimo até, agradeço ao Universo todas as pessoas com as quais me cruzei nalguma altura destes deliciosos anos. Todas. E quando digo todas, são mesmo TODAS. Sinto-me ligada a todas elas. Aquelas que já estiveram e já não estão e até aquelas que acharam nunca ter estado e nunca deixaram de estar. Da senhora que há muitos anos atrás ia sentada ao meu lado no autocarro e que desceu na paragem antes da minha no trajecto Oeiras – S. Marcos, àquela que no metro de Londres me sorriu quando notou nos meus olhos o vazio, passando pelo rapaz que me servia os cafés na Waterstones de St. Albans - o meu sítio de eleição - ou pessoas que só vi uma vez num desses acasos do destino… milhões e milhões de outros. De ilustres seres que me tocaram à sua passagem apenas com a subtileza da sua existência.
Talvez por isso não me sinta só porque acho que o mundo está salpicado de gente fascinante. Ao nível da alma tenho uma vida rica em relações humanas e em abono da verdade tenho tido a sorte e o prazer de me cruzar com pessoas fantásticas, em todos os sectores da minha vida.
Guardo-as pois neste livro gigante, onde colecciono contos e histórias, de vários personagens, seres e cenários…Poder abrir este livro de quando em vez e assistir a isto é um espectáculo imperdível, para o qual faço questão de pagar o meu bilhete todos os dias. Vale bem a pena.
E há dias – oh se há dias - em que acho que sou louca por dizer estas coisas porque há lá dias em que não vejo bem isto…e em que tenho que me esforçar… Mas não é que, com mais ou menos demora, acabo sempre por ver!?
Acredito pois que a vida nos presenteia por esse “esforço” consciente e nos dá de volta tudo o que ousamos acreditar no coração: Quando já quase acreditava que o desejo de ter um filho estava adiado ad eternum, a esperança iluminou-me o caminho e fez-me mudar todas as circunstâncias para que agora, hoje, celebre a minha existência a dobrar, trazendo dentro de mim, de mãos dadas com a minha criança, outra criança para amar.
A minha filha foi o melhor presente que podia ter este ano, é O presente. Uma dádiva para a vida.
Mas sim, este ano a vida foi generosa comigo. Voltou a dar-me muitas experiências, muitos lugares, diferentes países, diversas pessoas, inúmeros sentires e viveres. Fins e recomeços.
Então hoje, em dia de balanço e balancete, o meu hino é de GRATIDÃO, de profundo RESPEITO por essa força maior, que me guia e me ilumina e de imenso AMOR por todos aqueles com quem até hoje fiz caminho. A todos vos devo um bocadinho de mim.

Bem Hajam por aí estarem. Celebremos a vida.


NAMASTE (significa EU HONRO O SÍTIO EM TI ONDE TODOS SOMOS UM)