quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Estações da Vida

Já vivi no verão e no inverno
E sobrevivi ao inferno e ao gelo
Sem estilhaçar estalactites
Sem, no vento, mover uma pena

Mas já fiz tempestades
E já reuni destroços de furacões que passaram
Já passeei à chuva e já dancei ao sol
Já vi morrer e já vi nascer
Já o tempo deixei cair,
Como folhas caducas de Outono

Perdi-me e encontrei-me
Na translucidez opaca da vida
Às vezes sem princípio  
Outras sem fim…
Num e noutro caso
Acabei na primavera de mim.

E um dia alguém me disse:

“a vida é como as estações do ano”...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Um dia...

A ti que pensas que controlas a vida, talvez ainda vás a tempo de mudar de ideias…Ou muda-tas ela um dia.
A ti que achas que controlas tudo e que és dono da vida, a ti que tens o ego ao comando, a ti que trabalhas dia e noite e te esqueces que a vida são momentos e sentimentos, a ti que prescindiste de ti e da tua verdade para viveres o que é confortável, a ti que vestes de puritano mas és outro pelas costas, a ti que te calas, que baixas a cabeça, que segues em fila, que permites tudo, a ti que és indiferente porque é mais fácil, que ligas às coisas mas esqueces as pessoas, a ti que perdeste o valor do amor pelo caminho, que azedaste e te tornaste seco e áspero e és agora uma alma apagada, a ti que não acreditas em nada, que vives no futuro ou te enterraste junto com o passado, porque não sabes lidar com o teu hoje…
Um dia vais perceber que todas as vezes que caíste foi a vida a forcar-te a “entregar os pontos” e a fazeres-lhe uma vénia, vais perceber que houve momentos em tiveste a vida na mão apenas pelo facto de te ter sido dada escolha. Vais perceber que houve um tempo que estavas a tempo de tudo e que tinhas tudo para ser feliz…que a vida passou num ápice, que os teus filhos cresceram sem teres burilado uma só aresta, vais perceber quanto não sorriste e o quanto fugiste à verdade, que foste escravo da complacência e do cansaço. Um dia vais perceber que no deserto que te tornaste não nascem flores porque o deserto é árido, seco e mata.
Um dia vais perceber que aqui só há um tempo e que esse tempo se chama Hoje!
Encontramo-nos noutra vida, numa dessas tantas a que viremos, até percebermos tudo!


Namaste