Nem todos te vão amar da mesma maneira, ou como tu gostas de ser amado.
O amor não tem tem um só conceito ou perspectiva.
Aceita-o nos outros. Aceita que seja assim.
E entende que o teu amor, aquele que vive em ti, é o teu amor.
Único e transmissível.
Está tudo bem se só o quiseres trocar com quem tiver a mesma forma de amor para dar.
São encaixes.
Deixa que o amor viva nos outros na forma como eles o vivem.
Cada um tem o seu processo.
Agora vai, inunda o mundo com o teu amor.
De uns vais receber, de outros não.
Só não o deixes morrer em ti.
Este é o lugar onde a energia dá forma às palavras... Sem filtros nem racionalizações! Expulsada a lógica, impera a pura, simples e despretensiosa intuição. Aqui SENTE-SE. Ensaia-se a ver com o coração e a a amar com a alma...
sábado, 23 de março de 2019
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Uma linha que separa...
É tão fácil desviares-te do que é essencial e te deixares distrair
pelo folclore mega estimulante de tudo o que está disponível…
É tão fácil passares do que chega, para o que é te dá apenas
mais facilitismo. É tão fácil perderes a noção e achares que precisas de mais e
mais e que o essencial não te basta porque se elevou a tua necessidade
face às coisas.
É tão fácil este caminho em que te perdes…em que querem que
tu te percas. Basta não estares consciente dele e… já foste! Já lá estás!
Exigente (e não tão fácil) é manteres o foco no que faz
mesmo falta. No básico. No simples.
Desafiante é ser-se simples num mundo cheio de acessórios e
de sobejos.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Carta a 2018
2018: Não me deixas saudades. Deixas antes mãos cheias de lições e aprendizagens, que doeram até serem aceites e fazerem sentido.
• Contigo aprendi a estar só. Deixaste-me só tantas vezes... Contigo aprendi que seja para onde for o caminho, ou com quem for o caminho, ele é para fazer sozinho. Primeiro De ti, contigo. A vida é uma jornada individual. OBRIGADA
• Contigo aprendi que o esforço e o sacrifício são coisas relativas. Tudo depende do porquê. Aprendi a calar e a esperar.
• contigo aprendi que ser forte é ser cada vez mais vulnerável. Tendo no amor maior o foco.
• Contigo aprendi a sorrir na adversidade. Ainda estou em treinos... Aprendi a despreocupar, para entregar. Mais e mais.
• Contigo aprendi a perceber melhor o que preciso na vida... o que me é essencial e o que me falta concretizar.
•Contigo aprendi que em cada vida há mil vidas para trás. Que fazem a nossa história. Foi Contigo que aprendi que só curo quando ganho consciência que sou a soma de todas elas. E que preciso me empenhar nessa cura.
• Por isso contigo aprendi a chorar. A chorar para limpar.
• Contigo aprendi a permanência. Em mim. Apenas.
Todos os dias tive que aprender a ser eu. A olhar-me sem me trair. Tendo coragem de ser o que sinto. Na integra!
Se vou ter saudades?!? NÃO .
Foi mta coisa para aprender de uma só vêz.
Se mudava alguma coisa? NÃO.
OBRIGADA
E estou pronta para mais um ano. Venha a vida que enquanto eu cá estou, estará tudo bem: 😊
terça-feira, 20 de novembro de 2018
SÍNTESE
Fui o
som e o movimento,
O sabor e o cheiro,
O princípio e o fim,
O agora e o talvez.
Fui a pergunta e a resposta,
A dor e o cansaço,
Fui um pedaço
De amor no mundo...
O sabor e o cheiro,
O princípio e o fim,
O agora e o talvez.
Fui a pergunta e a resposta,
A dor e o cansaço,
Fui um pedaço
De amor no mundo...
E
elevando o profundo
Fui a mensagem e o mensageiro,
Eu por inteiro.
Fui luz e fui calor,
Poema e prosa,
Rima e texto corrido,
Fui como doido varrido.
Toque e matéria,
Coração e artéria.
Fui partículas e todo,
Fui adeus e magia.
Fragmento de infinito.
A tese e a antítese.
Fui síntese... afinal.
Fui a mensagem e o mensageiro,
Eu por inteiro.
Fui luz e fui calor,
Poema e prosa,
Rima e texto corrido,
Fui como doido varrido.
Toque e matéria,
Coração e artéria.
Fui partículas e todo,
Fui adeus e magia.
Fragmento de infinito.
A tese e a antítese.
Fui síntese... afinal.
sábado, 27 de outubro de 2018
Loba solitária
Podes saber de alcateias
Mas serás solitária,
Podes conhecer estratégias conjuntas,
Mas vais caçar e descansar sozinha.
Lambendo as tuas feridas,
na sombra encontrada
ao longo da jornada.
Mas serás solitária,
Podes conhecer estratégias conjuntas,
Mas vais caçar e descansar sozinha.
Lambendo as tuas feridas,
na sombra encontrada
ao longo da jornada.
Podes ser loba
E desconhecer mais elementos,
Mas a tua alma de poder
Reúne-se nos fragmentos.
E desconhecer mais elementos,
Mas a tua alma de poder
Reúne-se nos fragmentos.
Loba uiva
E chama a noite
Faz o teu caminho
e segue a Lua.
E chama a noite
Faz o teu caminho
e segue a Lua.
Loba solitária
Serás só tu.
Darás pelos teus filhos a pele,
O teu trilho o teu caminho.
Serás só tu.
Darás pelos teus filhos a pele,
O teu trilho o teu caminho.
Loba uiva
E aguarda o dia
Encanta-te com a tundra
E segue o Sol.
E aguarda o dia
Encanta-te com a tundra
E segue o Sol.
COISAS DA(s) VIDA(s)
Já me vi de todos os ângulos e perspectivas.
Já estive perto da loucura e longe da solidão.
A vida já me atirou com quase tudo.
Não há réstia de espanto, nem ponta de medo.
Sucumbiram mas eu não!
Como as pedras na erosão,
No fim já não restam ilusões
Fica o que fica,
Tudo a ser o que é!
Em várias dimensões.
Os sonhos esses passam a ter braços e pernas e coração e
olhos,
Que, como pranchas, me catapultam nesta existência.
Sou, vidro frágil, gasto, delapidado
E diamante, duro, puro brilho lapidado
E o que o amor sublimou, foi isso que em mim ficou.
Já fui tudo e de várias formas
Agora sou uma projecção apenas, do mundo que me olha.
O que não me define apenas aparece ao que me vê.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Maturar
Passas correndo
Entre o que és e o que foste
e questionas a vida
sabendo que nada sabes
Vives passando
E é nos pássaros, nas flores e no mar
Que sempre te vais encontrar,
De sorriso aberto e coração a transbordar
Caminhas a passo firme
Ou mesmo cambaleando
E sentes que viver
É, na verdade, ir desenrolando
Um livro de histórias,
Um conto de lições
Passa correndo
O tempo por ti
e tu questionando
vais também degustando
O vinho que foi uva
E se aprimorou assim.
E passas correndo
entre o que és e o que foste
porque jamais alguém é para sempre o mesmo!
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Estações da Vida
Já vivi no verão e no inverno
E sobrevivi ao inferno e ao gelo
Sem estilhaçar estalactites
Sem, no vento, mover uma pena
Mas já fiz tempestades
E já reuni destroços
de furacões que passaram
Já passeei à chuva e já dancei ao sol
Já vi morrer e já vi nascer
Já o tempo deixei cair,
Como folhas caducas de Outono
Perdi-me e encontrei-me
Na translucidez opaca da vida
Às vezes sem princípio
Outras sem fim…
Num e noutro caso
Acabei na primavera de mim.
E um dia alguém me disse:
“a vida é como as estações do ano”...
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Um dia...
A ti que pensas que controlas a
vida, talvez ainda vás a tempo de mudar de ideias…Ou muda-tas ela um dia.
A ti que achas que controlas tudo
e que és dono da vida, a ti que tens o ego ao comando, a ti que trabalhas dia e
noite e te esqueces que a vida são momentos e sentimentos, a ti que
prescindiste de ti e da tua verdade para viveres o que é confortável, a ti que
vestes de puritano mas és outro pelas costas, a ti que te calas, que baixas a
cabeça, que segues em fila, que permites tudo, a ti que és indiferente porque é
mais fácil, que ligas às coisas mas esqueces as pessoas, a ti que perdeste o
valor do amor pelo caminho, que azedaste e te tornaste seco e áspero e és agora
uma alma apagada, a ti que não acreditas em nada, que vives no futuro ou te
enterraste junto com o passado, porque não sabes lidar com o teu hoje…
Um dia vais perceber que todas as
vezes que caíste foi a vida a forcar-te a “entregar os pontos” e a fazeres-lhe
uma vénia, vais perceber que houve momentos em tiveste a vida na mão apenas
pelo facto de te ter sido dada escolha. Vais perceber que houve um tempo que estavas
a tempo de tudo e que tinhas tudo para ser feliz…que a vida passou num ápice,
que os teus filhos cresceram sem teres burilado uma só aresta, vais perceber quanto
não sorriste e o quanto fugiste à verdade, que foste escravo da complacência e
do cansaço. Um dia vais perceber que no deserto que te tornaste não nascem flores
porque o deserto é árido, seco e mata.
Um dia vais perceber que aqui só há
um tempo e que esse tempo se chama Hoje!
Encontramo-nos noutra vida, numa
dessas tantas a que viremos, até percebermos tudo!
Namaste
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
13 Dez. 2016
O número é redondo: 35. A
quantidade de primaveras a florescer em mim.
Faço um balanço. A cada ano neste
dia olho para trás. Retiro-lhe a saudade. Gosto de olhar para trás como
espectadora de mim mesma, sem que o apego me tome, sem me confundir com o
sujeito da história – que afinal sou eu.
Olho como se atrás de mim visse
resvalar uma Íngreme escadaria, em que cada momento do passado é um degrau
dessa escadaria que me levou onde estou.
Delicia-me o que ficou para trás
e hoje cumpre-me seriamente agradecer à vida todos os presentes que me tem dado:
as lágrimas e os sorrisos, os dramas e as comédias.
Acho que o que eu agradeço mesmo
é isto, esta capacidade aprendida de saber agradecer as lágrimas e as
dificuldades. E assim sendo, não há nada que mudasse porque nestes 35 anos fui
abençoada pela consciência de saber que tudo esteve e está no devido sítio.
Por dentro, num nível muito íntimo
até, agradeço ao Universo todas as pessoas com as quais me cruzei nalguma
altura destes deliciosos anos. Todas. E quando digo todas, são mesmo TODAS.
Sinto-me ligada a todas elas. Aquelas que já estiveram e já não estão e até
aquelas que acharam nunca ter estado e nunca deixaram de estar. Da senhora que
há muitos anos atrás ia sentada ao meu lado no autocarro e que desceu na
paragem antes da minha no trajecto Oeiras – S. Marcos, àquela que no metro de
Londres me sorriu quando notou nos meus olhos o vazio, passando pelo rapaz que
me servia os cafés na Waterstones de
St. Albans - o meu sítio de eleição - ou pessoas que só vi uma vez num desses
acasos do destino… milhões e milhões de outros. De ilustres seres que me
tocaram à sua passagem apenas com a subtileza da sua existência.
Talvez por isso não me sinta só
porque acho que o mundo está salpicado de gente fascinante. Ao nível da alma
tenho uma vida rica em relações humanas e em abono da verdade tenho tido a
sorte e o prazer de me cruzar com pessoas fantásticas, em todos os sectores da
minha vida.
Guardo-as pois neste livro
gigante, onde colecciono contos e histórias, de vários personagens, seres e
cenários…Poder abrir este livro de quando em vez e assistir a isto é um
espectáculo imperdível, para o qual faço questão de pagar o meu bilhete todos
os dias. Vale bem a pena.
E há dias – oh se há dias - em
que acho que sou louca por dizer estas coisas porque há lá dias em que não vejo
bem isto…e em que tenho que me esforçar… Mas não é que, com mais ou menos
demora, acabo sempre por ver!?
Acredito pois que a vida nos
presenteia por esse “esforço” consciente e nos dá de volta tudo o que ousamos
acreditar no coração: Quando já quase acreditava que o desejo de ter um filho
estava adiado ad eternum, a esperança
iluminou-me o caminho e fez-me mudar todas as circunstâncias para que agora,
hoje, celebre a minha existência a dobrar, trazendo dentro de mim, de mãos
dadas com a minha criança, outra criança para amar.
A minha filha foi o melhor presente
que podia ter este ano, é O presente. Uma dádiva para a vida.
Mas sim, este ano a vida foi generosa
comigo. Voltou a dar-me muitas experiências, muitos lugares, diferentes países,
diversas pessoas, inúmeros sentires e viveres. Fins e recomeços.
Então hoje, em dia de balanço e
balancete, o meu hino é de GRATIDÃO, de profundo RESPEITO por essa força maior,
que me guia e me ilumina e de imenso AMOR por todos aqueles com quem até hoje
fiz caminho. A todos vos devo um bocadinho de mim.
Bem Hajam por aí estarem. Celebremos a vida.
NAMASTE (significa EU HONRO O
SÍTIO EM TI ONDE TODOS SOMOS UM)
segunda-feira, 2 de maio de 2016
SPIRIT INTO MATTER
Entre o corpo que habito
e a alma que me rege
há um mundo de polaridades
que desafiam a minha existência.
Entre o oásis e o deserto
vivo no equilíbrio certo,
e de pés assentes no chão
tenho no céu a minha conexão.
Existo aqui e ali
e todos os dias
no reino de cima ou no reino de baixo
eu entrego-me a mim…
A história escreve-se
a cada linha de tempo
numa circunferência infinita.
onde hoje aqui sei
que amanhã lá existe.
Porque entre o corpo que habito
e o espírito que me rege
existe um universo de possibilidades
que suportam a minha existência.
Namasté
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Há sítios onde vamos sozinhos.
No meio de um acalorado arguir de
pretensas razões, vulgo, troca acesa de pontos de vista opostos, vulgo mais
ainda, conversa discordante a roçar a discussão, dei por mim a chegar a uma
sábia conclusão !!!
Assim para começar ainda achei
estranho tal clarividência logo a meio de um processo inequivocamente doloroso,
mas logo percebi: a minha mente tinha feito um atalho!
Na verdade o atalho mais não foi
que a consciencialização a frio da “Lei da Acção e Reacção”, aquela que Newton
descobriu há uns séculos atrás e que determina que para cada acção existirá uma
reação oposta e de mesma intensidade.
Considerando que esta lei só é
aplicável à esfera material e não interpessoal (Newton deve tê-la descoberto literalmente
a meio de uma batalha campal) talvez seja melhor aqui invocar a Lei da Causa e
Efeito, essa sim mais a propósito das relações intra e interpessoais e que diz
basicamente a mesma coisa mas aplicável a condições/situações, ou seja,
condições específicas inevitavelmente levam a resultados correspondentes.
Pois bem, conversa vai, conversa
vem e a dada altura quis testemunhar aquilo de fora. Fiz esse exercício mental
e aí, nesse instante deu-se a clarividência: havia um movimento “looping” naquela
interacção. Ou “boomerang” ou círculo-vicioso…Qualquer uma das imagens serve
para ilustrar a coisa…
Tanto eu como o meu interlocutor
estávamos a reagir emocionalmente, baseando-nos num padrão estímulo-resposta,
sobre o qual nenhum de nós estava a ter controlo.
O meu comportamento e postura
tinham tocado numa âncora inconsciente do meu interlocutor despoletando nele
uma resposta negativa.
Âncoras inconscientes são aquelas
âncoras emocionais que todos nós temos e que, tal como o nome sugere, de tão
fundadas não nos deixam mover dali. São emoções que temos associadas/agregadas
a determinado comportamento de outrem ou a um determinado evento externo.
Esse comportamento ou evento está
gravado e arrumado na mesma gaveta da emoção que ele despoleta, pelo que,
sempre que se regista o primeiro (comportamento/evento externo) somos tomados
pela emoção que lhe está inconscientemente associada.
Uma vez feita a faísca a emoção
negativa manifesta-se!
Pois bem, eu tinha com um determinado
comportamento, accionado um desses “trigger points” (gatilhos) do meu
interlocutor, o que desencadeou uma resposta negativa, agindo de uma
determinada maneira...Maneira essa que seguidamente accionou um dos meus
“trigger points”, sucedendo-se a minha reacção negativa ao estímulo
apresentado.
Aqui está o efeito
“looping/boomerang ou vicioso”.
1º estágio – A resposta do
meu interlocutor a qualquer coisa no meu comportamento.
2º estágio - A minha
reacção àquele inexplicável humor. Inexplicável porque não tinha ideia de
que o meu comportamento tinha iniciado aquele processo emocional.
Portanto, agora estou a reagir à
reacção dele..
E adivinhem: A pessoa vai reagir
à minha reacção!
…
O meu interlocutor não conseguiu
identificar que estava a reagir em função do meu comportamento, ficando
irritado e eu passei a estar irritada também porque o comportamento da pessoa
(expressões faciais, postura e palavras) tocou cá o sino que diz que aquilo é
“desconsideração” e, por sua vez, accionou o meu gatilho. Disparei.
Não fosse a clarividência "Newtoniana"
e o círculo tinha-se perpetuado por mais uns quantos tiros certamente…
A única maneira de sair do
círculo é trazer a emoção à consciência e perceber friamente que, de parte a
parte, a coisa se deu porque houve emoções incapazes de ser contidas, que foram
instantânea e automaticamente desencadeadas pelo comportamento de outrem.
Âncoras emocionais não trazidas
ao consciente podem ser seriamente nefastas em todas as relações que
construímos! Tudo espremido é este o sumo.
A melhor maneira de dissolver
estas âncoras é mesmo despertar para a sua existência em nós porque uma vez
conhecidas elas perdem grande parte do seu poder e influência (mais uma vez a dita lei da causa-efeito).
Vale a pena então pensarmos que
âncoras temos e a que comportamentos/factos ou eventos externos estão
associadas, lembrando-nos que só nós somos responsáveis pelas nossas emoções a
cada momento e a cada circunstância.
Por mais voltas que demos, nós - e apenas nós - somos responsáveis pelos nossos meandros. E no que toca às
nossas emoções, (com ou sem Newton à mistura) há sítios onde vamos sozinhos.
Namaste.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Olá, bom dia e o processo de osmose.
Dizem de mim que sou uma pessoa aberta, daquelas que
facilmente convida para si os outros. Daquelas que abre portas em vez de
janelas, daquelas que conversa e faz amizade com qualquer estranho.
Verdade é que não posso negar isso. Não tenho como!
Podia relatar episódios sem fim de conversas que tive com
ilustres desconhecidos (até então), pessoas com quem me cruzei na casualidade (ou talvez
não) da vida.
Isso vale-me não só muitos, mas bons amigos.
Uns terão sido conversas de passagem, outros tornaram-se
objecto de interacção habitual.
Seja como for, não saberia estar na vida de outra maneira
porque os outros são o meu elo com o mundo.
Deve ser por isso que amo pessoas. E tenho um orgulho imenso
em senti-lo e dizê-lo, porque para mim as pessoas são o princípio e o fim de
tudo…
Há uns anos atrás deixei o prédio onde vivi 3 anos (um record,
acreditem…) e foi para lá viver a minha mãe. Passado um mês de lá estar a minha
mãe já conhecia meio bairro, não por ela, mas porque meio bairro tinha
perguntado por mim…
Disse-me, como frequentemente diz: “Tu realmente falas com toda
a gente!! Desde a senhora da limpeza do prédio, a vizinhos de todos os andares,
ao sr. do café, às senhoras que passeiam os cães no outro quarteirão e ao
senhor que varre a rua….!”
A mim espanta-me o contrário!
Como se poderá viver 3 anos no mesmo sítio sem conhecer/saber
de quem nos rodeia?!
Sim, faço questão de cumprimentar e mostrar o meu melhor
sorriso à senhora que limpa o “meu” prédio e a “minha” porta, ao senhor que me serve o café ou o pequeno almoço ao
fim-de-semana no café da esquina, à senhora que se cruza comigo quando os
nossos cães se cheiram mutuamente, ao senhor que me ajuda a manter o meu bairro
limpo…
Do bom dia e do sorriso aos dois dedos de conversa vai um
passo…e é nesse passo que construo desinteressadas relações.
São desinteressadas só num certo sentido, porque, na verdade,
interessam-me as pessoas.
Não é que me interesse a vida delas, mas interessam-me elas.
Interessam-me as suas histórias, as suas vivências, as suas motivações, as suas
dificuldades, as suas visões, o seu ser…
Interessa-me o que elas me ensinam, o que aprendo com elas
sem saberem, o que deixam em mim involuntariamente, as referencias que crio por
identificação ou contraposição.
Interessam-me sempre, mesmo que sejam muito diferentes de
mim!
Sim, interessa-me o que sente alguém que passa por mim triste
enquanto caminho para despejar o lixo, interessa-me a felicidade de um vizinho
que canta à janela quando saio do carro, interessa-me a velhota de mercearia
que vai deixar o negócio porque a renda é cara, interessa-me a senhora que vai
passear o cão e que alimenta todos os gatos errantes dali… Interessa-me sim. Os
outros importam-me. A qualquer lado que vá.
Relaciono-me transparentemente e sem medos. Não temo nada nas
pessoas, nada nelas me assusta. Não me assusta os seus julgamentos, a sua
maneira diferente de mim, não me assusta estarem sujos ou limpos, ou não
saberem falar elaboradamente, ou serem de outra cultura, ou terem intenções que
extravasem o meu interesse por elas.
Portanto, à partida, somos – e seremos – duas pessoas, dois
semelhantes. Sem muros nem obstáculos.
Talvez esta maneira receptiva de estar tenha gerado em mim
uma habilidade para conhecer as pessoas ou talvez essa habilidade tenha nascido
comigo. Verdade é, que sinto que tenho a capacidade de as entender, de as
sentir como são, de estar nelas, de ser quase elas por instantes, sendo o que
elas são, sentindo o que elas sentem. De me meter na posição delas, sem nunca sair
de mim e do que sou.
Um estado de osmose que confesso não saber explicar bem,
muito mais intuitivo que racional.
Com o desenvolver da minha dimensão espiritual adquiri até
uma nova sensação: Elas são uma extensão de mim. Como que um eu fora de mim.
Talvez um eu numa outra versão!!!
Mas isto, isto daria muito que escrever…e para já contento-me
em dizer que sou uma pessoa de pessoas, que para mim é fascinante viver rodeada
de gente – ainda que desconhecida.
Hoje fico feliz de viver rodeada de gente até calada, porque
passados anos de recolha de detalhada informação a minha base de dados é rica,
extensa e variada e hoje até no seu silêncio as pessoas falam comigo… Sei-as até
no que fica por dizer…
A qualquer lado que vá tenho em mim uma porta aberta porque
na verdade que conheço, em mim e nos outros não existem recantos…
Namaste.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
O Melhor que podemos Ser
A primeira vez que ouvi falar de "self actualizing people",
foi
através desse verdadeiro mestre que foi Dr. Wayne Dyer. Lia eu as primeiras páginas
do seu livro "I Can see clearly now" (infelizmente, tanto quanto sei, ainda não traduzido para
português).
Fiquei ligada a esta ideia de "self-actualizing
people", pessoas que tem uma tendência inata para serem o melhor que
podem ser, inconvencionais, diferentes da maioria das pessoas, porque pensam
fora dos padrões instituídos e institucionalizados. Fez eco em mim o conceito.
Identifiquei-me, de alguma forma, com aquela descrição.
Dyer definiu-as como pessoas que procuram ser o melhor que esta ao seu
alcance ser, que se empenham em ser a melhor versão de si mesmas.
Imediatamente o que me perpassou o pensamento é que o mundo seria com
certeza um lugar melhor se todos vivessem nessa melhor versão de si.
Cada um de nós individualmente tem um potencial por explorar, que pode
fazer uma notável diferença na vida de todos nós em colectivo.
Imagina a melhor versão de ti e diz-me se não vês uma pessoa mais paciente
ou mais tolerante ou mais esclarecida ou mais decidida ou mais carinhosa ou
mais sociável, ou mais cuidadosa ou mais atenta ou mais satisfeita ou mais
alegre ou mais magra ou mais gorda ou... o que quer que seja o melhor que esta
ao teu alcance ser...
Tenho por certo que se todos nós investíssemos em ser o melhor de nós,
seriamos todos pessoas mais felizes.
Pessoas mais realizadas e mais completas, são sempre pessoas mais felizes.
Então o que nos vem impedindo de ser assim? - pergunta que parece impor-se.
Várias limitações nos afastam do nosso potencial. Todas criadas por nós, invariavelmente.
Tenhamos nós a coragem de admitir isto e metade do caminho fica feito...
Mas como admitir que podemos fazer mais por nos mesmos se, provavelmente
nem estamos conscientes de nós?
Diria pois que, primeiro que tudo, é preciso que cada pessoa se entenda a
si mesma, que se conheça, que olhe no espelho do seu ser e se veja.
Um espelho só reflecte o que lhe é mostrado. Mostremo-nos a nós próprios
exactamente como somos e queiramos ver as nossas virtudes, os nossos pontos
fortes, as nossas capacidades e talentos, vendo também com toda a honestidade
os nossos defeitos, os nossos pontos fracos, as nossas dificuldades e os nossos
medos...
Com isto estaremos perante a figura mais fiel de nós, não é mais um esboço,
um desenho, nem uma pintura. Não é mais uma realidade retratada por alguém
exterior a nós. Somos nós.
Aqui chegados é agora mais claro o que podemos melhorar, que aspectos de
nós podemos elevar a outro nível, o que ainda podemos desafiar em nós, o que
podemos tentar fazer diferente para chegar a um resultado melhor. Um resultado
que melhor nos sirva, que nos torne efectivamente melhores seres no nosso
dia-a-dia.
Enchamo-nos de coragem para matar os nossos monstros, vencer os medos que
nos dominam e perceber por que porta entraram em nós.
As portas pelas quais os nossos medos acedem chamam-se crenças.
Tudo está no que nos acreditamos ser verdade.
Se acreditamos que não somos bons na nossa profissão, nunca seremos mais
que razoáveis, na melhor das hipóteses!
Se acreditarmos que somos motoramente descordenados ou desajeitados nos
nossos movimentos nunca tentaremos dançar ou fazer ginástica rítmica.
Poderemos, eventualmente, ter deixado para trás uma brilhante carreira.
Se acreditarmos que não sabemos socializar nunca seremos boas companhias, porque
estaremos fechados em nós, num jogo de
permanente defesa que nos isola de todas
as infindas possibilidades que conhecer novas pessoas nos traz...
Tudo isso em que acreditamos, acreditamos por uma razão. Temos
efectivamente razões históricas para acreditar em tudo o que acreditamos.
Foi-nos ensinado, foi-nos socialmente imposto ou induzido/introduzido no
nosso subconsciente por infindos hábitos (culturais ou familiares) e processos
repetitivos.
Claramente a criança a quem os pais chamavam de estúpida quando errava vai
ser um adulto com uma crença ao nível da sua identidade que o faz acreditar não
ser capaz.
Da mesma forma, a criança a quem foi transmitido, ainda que indirectamente,
que uma profissão artística não tem futuro, crescerá com uma crença ao nível do
comportamento, que fará com que não seja um adulto bem sucedido no mundo
das artes - e muito, muito provavelmente
– tão pouco se dedicará ao assunto.
Enfim, os exemplos podem multiplicar-se para dizer que o nosso sistema de
crenças influi determinantemente na forma como estamos no mundo.
Então das premissas tiramos a conclusão: para chegarmos ao melhor de nós
teremos que descartar as velhas crenças que já não nos servem (ou nunca
serviram).
É provável que neste processo nos tenhamos reinventado e tomado uma nova
forma.
Mas será a única maneira de termos a certeza que não ficaremos aquém de nos
próprios.
Viver da e na nossa melhor versão, em última instancia, é um dever de
gratidão para com a nossa existência.
Os "selfmade man/woman"
de hoje são "self actualized people",
que se "auto-fazem", começando em si a construção de um mundo melhor.
Namaste
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
EPIFANIA
A cada ano que passa há uma epifania em mim.
É tão sentida esta sensação de algo de novo ter ficado
depositado no meu ser.
Caminhos cruzados e escolhas feitas e todos eles foram como
que negativos revelados em mim.
Cada circunstância, momento e pessoa ficaram impressos em
mim… Cada um e todos juntos me trouxeram A lição. A que tinha que ser aprendida, mesmo que eu achasse que não!
Cada pessoa, cada gesto. Céus, está tudo agora em mim, -
aqui -!
Aprendo, somo, recolho, colecciono.
Eu sou a soma de todas as coisas que se deram a mim.
E a minha história faz-se do agora que vou passando.
E fecho o ano em gratidão, por tudo, sem excepção. Sentindo
que em cada vai e vem eu encontrei um balanço (ou um baloiço J ).
E outro ano começa de novo. Vivo para tudo como se fosse a
primeira vez, estreando o mundo com um novo olhar, com novo sentir.
Redescubro na vida a surpresa de nada saber, de nada
controlar e, na verdade, de nada querer.
Que tudo venha quando assim tiver que ser.
Cheia, provida de amor por mim e pelos demais, agarro o
tempo sabendo que ele não se repete e pronta para as revelações, desafios e
momentos que farão a próxima epifania.
Porque o tempo não se repete e a vida também não.
Sejamos hoje tudo o que podermos ser e nunca ficaremos aquém
do que aqui viemos ser.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Memórias de Fada :-)
Ontem à noite, já estava eu a
agradecer tudo o que tenho na minha vida, quando me invadiu a imagem daquela
saia de fada, de cetim rosa, com estrelas de papel de prata coladas, do chapéu
pontiagudo feito de cartolina forrada do mesmo cetim rosa e da varinha com uma
estrelinha colada na ponta de uma grande agulha de tricot…
Tinha 4 ou 5 anos, não mais e era
tempo do festim escolar da Carnavalada …
No momento em que esta imagem me
atravessa o espírito vem com ela uma profunda sensação de alegria e bem-estar,
afinal aquela vestimenta, que fez de mim fada por um dia, era toda ela um acto
de amor…
Ontem, vi-me naquela noite de
véspera carnavalesca, radiante, de volta da minha mãe a examinar, com este ar
expectante e ansioso (que ainda hoje me caracteriza J ), tudo o que ela fazia para
conseguir costurar-me numa noite aquela saia.
Não vi muito na verdade, porque
já era noite, a minha mãe e o meu pai tinham trabalhado todo o dia e para mim
estava perto da hora de ir dormir!
Mas lembro-me da fita métrica, à
volta da cintura e de cima a baixo e de baixo para cima e de achar tudo aquilo maravilhoso
e mágico!
Apesar da tenra idade eu sabia
que aquilo era um acto de magia! Estava certa!
A minha mãe encarregou-se da saia
e o meu pai, que sempre foi um verdadeiro artista dos trabalhos manuais,
concebeu o chapéu alto e pontiagudo, digno de uma fada à séria.
Desse não me lembro dos
preparativos, mas calculo que também me tenham medido a cabeça J.
Conhecendo-me tão bem como conheço,
nessa noite devo ter-me deitado com uma excitação endiabrada! Não confirmei
isso ainda mas posso adivinhar a resposta.
O que me lembro mesmo é de me
sentir muito feliz a ver aquela grande azáfama de final de dia por causa de uma
coisa: a minha vestimenta!
Bem ou mal lá devo ter adormecido
porque no dia seguinte acordei cheia de energia (lembro-me bem) e imediatamente
a minha mãe me mostrou a fatiota, perguntando se gostava…
Ainda hoje sinto uma luz
aquecer-me por dentro quando penso nesse momento… Estava tudo lindo…
A sainha rosa estendia-se até aos
pés, tinha um elástico cosido na cintura que perfeitamente se ajustou a ela,
tinha estrelinhas coladas feitas de papel de prata que a salpicavam de brilho…
O chapéu, o que outrora fora uma
mera e simples cartolina era agora um cone alto e pontiagudo que ousava rasgar
o céu e perfeitamente forrado com o mesmo tecido de cetim rosa!!!
E para finalizar, num acto de
puro empoderamento, foi colocada na minha rechonchudinha mão direita, a
varinha! Uma agulha de tricot, com uma estrela de papel na ponta, perfeitamente
recortada e cintilante. Achei uma imensa graça aquele pormenor. Divertido
mesmo!
Vi a alegria na cara dos meus pais
quando saí de casa para ir para a escola, naquele momento de revelação da fada
ao mundo e, acreditem ou não, senti o peito cheio de gratidão por tudo aquilo!
Percebi instantaneamente que os
meus pais tinham feito todo aquele trabalho durante a noite, roubando de si
horas de sono, para me darem um sonho…
E devo agora dizer-vos que nesse
dia deram-me muito mais que o sonho, que um vestido de fada representa para uma
menina de 4 ou 5 anos… Nesse dia o que eu gostei mesmo foi de sentir a
dedicação e o amor que tinham feito tudo aquilo ser possível. Sim, eu senti
isso. Essa energia avassaladora…E isso fez brilhar a menina fada!
Eu era a fada mas tinham sido os
meus pais a fazer magia!! J
Magnífica visão a de ontem à
noite… estava meio esquecida ou pelo menos há muito que não me visitava o
consciente. E deixou-me tão feliz!
Percebi logo após este sentimento,
que desde então nunca mais eu largara a fada e minha varinha de condão… Os meus
pais tinham-me abrilhantado e empoderado para sempre…
Aquela noite deixou em mim marcas
profundas que posso resumir assim: AMOR e GRATIDÃO.
Existiu em tempos uma fotografia
tirada na escola nesse dia que, modestamente – posso presumir – retratou a
minha alegria dentro daquele vestido.
Mas o melhor álbum é o que
desfolho com o pensamento e esta memória está cristalizada em mim. De tão forte
não corre o risco de ser perdida.
Grata aos meus pais, pela lição.
Bem Hajam.
Maura
sábado, 14 de novembro de 2015
Do Terror ao Amor
Este blog onde vos escrevo é prova singela da latitute e amplitude da liberdade, no caso liberdade de expressão, nas sociedades ocidentais a que pertencemos.
Mas deixem-me usar desta liberdade para fazer jus à minha condição ocidental e, antes de mais, lamentar (mais do que condenar - quem sou eu?!!) as mortes do atentado em Paris...
Acho os atentados hediondos mas eles colocam a mancha no pano branco?!!
Não, o pano não era branco... A cultura ocidental ingere-se constantemente nos assuntos islâmicos e na sua cultura... A Guerra Civil Síria é um conflito entre fronteiras islâmicas que se agudizou com a entrada de tropas ocidentais, que fazem guerra na procura de uma paz que não é a sua.
Chegados a este ponto, os países ocidentais talvez já devessem ter percebido que estão a lidar com pessoas com crenças existenciais e culturais diametralmente díspares da que a sociedade ocidental propaga e acredita.
Assim, questiono-me se fará sentido impormos os nossos princípios, valores e crenças (ocidentais) aos povos islâmicos?! É que na verdade é isso que fazemos quando entramos no país deles a dizer: "Não queremos aqui guerra"; "queremos proteger as VOSSAS populações civis".
Eu não estou a favor do caos islâmico, mas vejo uma certa arrogância ocidental ao arrogar-se dona de uma verdade Universal...No nosso conceito de liberdade não cabe a liberdade de os deixar governar os países deles à sua maneira? De procurarem por eles próprios as suas soluções, de acordo com os seus padrões? De fazerem o seu processo evolutivo, com o nível de consciência que possuem?
Com isto não estou OBVIAMENTE a dizer que devemos deixá-los matar impunemente mas a verdade é que estamos entre um conflito de civilizações. Civilizações essas que de forma recíproca procuram prevalecer uma sobre a outra.
Coisa perfeitamente inútil porque não faz sentido ver uma civilização à luz dos princípios de outra. Ainda por cima, quando são completamente diferentes... Não são só um bocadinho, são completamente: from the bottom to the top! Tudo diferente, construídas sobre plataformas de desenvolvimento antagónicas...
O ocidente não pode vestir o casaquinho da vítima e dizer que não previu tudo isto... Isto é o preço correlativo de não os deixarmos ser o que são, nos países deles.
E estou perfeitamente à vontade para o dizer porque, ao contrário de uma larga maioria de portugueses, defendi - e defendo - a vinda de refugiados para a Europa...Eu não sou é hipócrita, de pensar que vamos lá meter-nos na Síria e isso não nos traz quaisquer consequências...
Podemos não ser consensuais, mas temos que ser coerentes: se nos queremos ingerir nos assuntos deles e salvar as populações, óptimo! EU DEFENDO ISTO, mas tenhamos a coragem de assumir os riscos inerentes. E sobretudo, preparemo-nos para eles.
Não podemos querer é chuva na eira e sol no nabal, não podemos é querer ir combater na casa dos outros e achar que entramos na nossa e que fica tudo em paz.
As diferenças são para ser respeitadas. As nossas e as deles. Já se percebeu que eles jamais quererão ser governados pelo mesmo sistema político e social que nós.
Sejamos honestos com a nossa própria civilização e admitamos que somos escravos da nossa própria liberdade.
E queremos impô-la a quem não a valoriza, a quem a dispensa...
Agora se querem um resquício de humanidade: sim, salvemos a Síria e todos os inocentes que lá vivem mas na verdade não nos façamos de vítimas porque fomos nós que lá fomos ingerir-nos...
Sim, eu sei que eles violaram todos os direitos humanos e que segundo os preceitos de Direito Internacional Privado estamos legalmente legitimados para lá entrarmos e encetarmos uma guerra em nome da paz... mas "antropologicamente" falando, fará sentido impormos o nosso nível de "evolução" a outra civilização, dentro das suas próprias fronteiras?!
Isto é a história da Siría mas podia ser a história do Afeganistão ou de qualquer outra estado islâmico... Isto é um confronto de civilizações puro e duro.
Um peixe nunca trepará a uma árvore. Um peixe nunca será macaco.
O BEM SEMPRE PREVALECERÁ, MAS NÃO PODE SER IMPOSTO, PORQUE QUANDO O É TORNA-SE TÃO MAU COMO O MAL.
Namaste.
Mas deixem-me usar desta liberdade para fazer jus à minha condição ocidental e, antes de mais, lamentar (mais do que condenar - quem sou eu?!!) as mortes do atentado em Paris...
Acho os atentados hediondos mas eles colocam a mancha no pano branco?!!
Não, o pano não era branco... A cultura ocidental ingere-se constantemente nos assuntos islâmicos e na sua cultura... A Guerra Civil Síria é um conflito entre fronteiras islâmicas que se agudizou com a entrada de tropas ocidentais, que fazem guerra na procura de uma paz que não é a sua.
Chegados a este ponto, os países ocidentais talvez já devessem ter percebido que estão a lidar com pessoas com crenças existenciais e culturais diametralmente díspares da que a sociedade ocidental propaga e acredita.
Assim, questiono-me se fará sentido impormos os nossos princípios, valores e crenças (ocidentais) aos povos islâmicos?! É que na verdade é isso que fazemos quando entramos no país deles a dizer: "Não queremos aqui guerra"; "queremos proteger as VOSSAS populações civis".
Eu não estou a favor do caos islâmico, mas vejo uma certa arrogância ocidental ao arrogar-se dona de uma verdade Universal...No nosso conceito de liberdade não cabe a liberdade de os deixar governar os países deles à sua maneira? De procurarem por eles próprios as suas soluções, de acordo com os seus padrões? De fazerem o seu processo evolutivo, com o nível de consciência que possuem?
Com isto não estou OBVIAMENTE a dizer que devemos deixá-los matar impunemente mas a verdade é que estamos entre um conflito de civilizações. Civilizações essas que de forma recíproca procuram prevalecer uma sobre a outra.
Coisa perfeitamente inútil porque não faz sentido ver uma civilização à luz dos princípios de outra. Ainda por cima, quando são completamente diferentes... Não são só um bocadinho, são completamente: from the bottom to the top! Tudo diferente, construídas sobre plataformas de desenvolvimento antagónicas...
O ocidente não pode vestir o casaquinho da vítima e dizer que não previu tudo isto... Isto é o preço correlativo de não os deixarmos ser o que são, nos países deles.
E estou perfeitamente à vontade para o dizer porque, ao contrário de uma larga maioria de portugueses, defendi - e defendo - a vinda de refugiados para a Europa...Eu não sou é hipócrita, de pensar que vamos lá meter-nos na Síria e isso não nos traz quaisquer consequências...
Podemos não ser consensuais, mas temos que ser coerentes: se nos queremos ingerir nos assuntos deles e salvar as populações, óptimo! EU DEFENDO ISTO, mas tenhamos a coragem de assumir os riscos inerentes. E sobretudo, preparemo-nos para eles.
Não podemos querer é chuva na eira e sol no nabal, não podemos é querer ir combater na casa dos outros e achar que entramos na nossa e que fica tudo em paz.
As diferenças são para ser respeitadas. As nossas e as deles. Já se percebeu que eles jamais quererão ser governados pelo mesmo sistema político e social que nós.
Sejamos honestos com a nossa própria civilização e admitamos que somos escravos da nossa própria liberdade.
E queremos impô-la a quem não a valoriza, a quem a dispensa...
Agora se querem um resquício de humanidade: sim, salvemos a Síria e todos os inocentes que lá vivem mas na verdade não nos façamos de vítimas porque fomos nós que lá fomos ingerir-nos...
Sim, eu sei que eles violaram todos os direitos humanos e que segundo os preceitos de Direito Internacional Privado estamos legalmente legitimados para lá entrarmos e encetarmos uma guerra em nome da paz... mas "antropologicamente" falando, fará sentido impormos o nosso nível de "evolução" a outra civilização, dentro das suas próprias fronteiras?!
Isto é a história da Siría mas podia ser a história do Afeganistão ou de qualquer outra estado islâmico... Isto é um confronto de civilizações puro e duro.
Um peixe nunca trepará a uma árvore. Um peixe nunca será macaco.
O BEM SEMPRE PREVALECERÁ, MAS NÃO PODE SER IMPOSTO, PORQUE QUANDO O É TORNA-SE TÃO MAU COMO O MAL.
Namaste.
domingo, 30 de agosto de 2015
SEMPRE A CORES
Vou colorir a vida
Pintá-la a lápis de cor
Como se fosse
Um livro de uma criança,
Vou trazer na lembrança
os ensinamentos do amor.
Vou dar-lhe um dégradé
ou pintá-la a liso,
logo se vê!
Mas vou colorir
cada espaço em branco
da cor que ditar o momento
ou como for o chamamento.
Vou colorir de emoção
e pintar com o coração
porque tenho uma tela
e uma vida tão bela…
:-)
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Que Linda Falua...
Se
há dias e horas,
E momentos
de glória,
Palcos
e holofotes radiosos,
Há
noites e momentos,
De
luares perdidos,
Esquecidos,
No
escuro e inebriante negro do céu!
Se
há dias felizes,
Há
noites de silêncio mudo,
No
fluxo distante dessa torrente…
Com
o nascer do sol,
Despede-te
das estrelas
E não
saberás se voltas a vê-las…
Mesmo
que tenham hora marcada,
Não
há astrolábio na maré navegada!
Do
dia para a noite…
Tudo
se segue sucessivamente.
Ilumina-te
o SOL ou a LUA
De
onde vem a luz nada importará…
Que
se faça a travessia.
O
canto em ti restará:
“Que
linda falua…”
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Não tomes analgésicos
A dor precisa de ser sentida.
Precisa ter espaço para existir quando acontece em ti.
Sente a dor. Não a negues, não a reprimas, senão ela vai ficar presa, toda acumulada, à espera de ser processada.
Sem vitimizações, a dor transmuta.
A dor não cai e desaparece, ela tem que ser chorada e vivida para ser deixada.
É um processo de digestão!
Precisa ter espaço para existir quando acontece em ti.
Sente a dor. Não a negues, não a reprimas, senão ela vai ficar presa, toda acumulada, à espera de ser processada.
Sem vitimizações, a dor transmuta.
A dor não cai e desaparece, ela tem que ser chorada e vivida para ser deixada.
É um processo de digestão!
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