sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

EPIFANIA

A cada ano que passa há uma epifania em mim.
É tão sentida esta sensação de algo de novo ter ficado depositado no meu ser.
Caminhos cruzados e escolhas feitas e todos eles foram como que negativos revelados em mim.
Cada circunstância, momento e pessoa ficaram impressos em mim… Cada um e todos juntos me trouxeram A lição. A que tinha que ser aprendida, mesmo que eu achasse que não!
Cada pessoa, cada gesto. Céus, está tudo agora em mim, - aqui -!

Aprendo, somo, recolho, colecciono.
Eu sou a soma de todas as coisas que se deram a mim.
E a minha história faz-se do agora que vou passando.
E fecho o ano em gratidão, por tudo, sem excepção. Sentindo que em cada vai e vem eu encontrei um balanço (ou um baloiço J ).

E outro ano começa de novo. Vivo para tudo como se fosse a primeira vez, estreando o mundo com um novo olhar, com novo sentir.
Redescubro na vida a surpresa de nada saber, de nada controlar e, na verdade, de nada querer.
Que tudo venha quando assim tiver que ser.
Cheia, provida de amor por mim e pelos demais, agarro o tempo sabendo que ele não se repete e pronta para as revelações, desafios e momentos que farão a próxima epifania.
Porque o tempo não se repete e a vida também não.


Sejamos hoje tudo o que podermos ser e nunca ficaremos aquém do que aqui viemos ser.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Memórias de Fada :-)

Ontem à noite, já estava eu a agradecer tudo o que tenho na minha vida, quando me invadiu a imagem daquela saia de fada, de cetim rosa, com estrelas de papel de prata coladas, do chapéu pontiagudo feito de cartolina forrada do mesmo cetim rosa e da varinha com uma estrelinha colada na ponta de uma grande agulha de tricot…
Tinha 4 ou 5 anos, não mais e era tempo do festim escolar da Carnavalada …
No momento em que esta imagem me atravessa o espírito vem com ela uma profunda sensação de alegria e bem-estar, afinal aquela vestimenta, que fez de mim fada por um dia, era toda ela um acto de amor…
Ontem, vi-me naquela noite de véspera carnavalesca, radiante, de volta da minha mãe a examinar, com este ar expectante e ansioso (que ainda hoje me caracteriza J ), tudo o que ela fazia para conseguir costurar-me numa noite aquela saia.
Não vi muito na verdade, porque já era noite, a minha mãe e o meu pai tinham trabalhado todo o dia e para mim estava perto da hora de ir dormir!
Mas lembro-me da fita métrica, à volta da cintura e de cima a baixo e de baixo para cima e de achar tudo aquilo maravilhoso e mágico!
Apesar da tenra idade eu sabia que aquilo era um acto de magia! Estava certa!
A minha mãe encarregou-se da saia e o meu pai, que sempre foi um verdadeiro artista dos trabalhos manuais, concebeu o chapéu alto e pontiagudo, digno de uma fada à séria.
Desse não me lembro dos preparativos, mas calculo que também me tenham medido a cabeça J.
Conhecendo-me tão bem como conheço, nessa noite devo ter-me deitado com uma excitação endiabrada! Não confirmei isso ainda mas posso adivinhar a resposta.
O que me lembro mesmo é de me sentir muito feliz a ver aquela grande azáfama de final de dia por causa de uma coisa: a minha vestimenta!
Bem ou mal lá devo ter adormecido porque no dia seguinte acordei cheia de energia (lembro-me bem) e imediatamente a minha mãe me mostrou a fatiota, perguntando se gostava…
Ainda hoje sinto uma luz aquecer-me por dentro quando penso nesse momento… Estava tudo lindo…
A sainha rosa estendia-se até aos pés, tinha um elástico cosido na cintura que perfeitamente se ajustou a ela, tinha estrelinhas coladas feitas de papel de prata que a salpicavam de brilho…
O chapéu, o que outrora fora uma mera e simples cartolina era agora um cone alto e pontiagudo que ousava rasgar o céu e perfeitamente forrado com o mesmo tecido de cetim rosa!!!
E para finalizar, num acto de puro empoderamento, foi colocada na minha rechonchudinha mão direita, a varinha! Uma agulha de tricot, com uma estrela de papel na ponta, perfeitamente recortada e cintilante. Achei uma imensa graça aquele pormenor. Divertido mesmo!
Vi a alegria na cara dos meus pais quando saí de casa para ir para a escola, naquele momento de revelação da fada ao mundo e, acreditem ou não, senti o peito cheio de gratidão por tudo aquilo!
Percebi instantaneamente que os meus pais tinham feito todo aquele trabalho durante a noite, roubando de si horas de sono, para me darem um sonho…
E devo agora dizer-vos que nesse dia deram-me muito mais que o sonho, que um vestido de fada representa para uma menina de 4 ou 5 anos… Nesse dia o que eu gostei mesmo foi de sentir a dedicação e o amor que tinham feito tudo aquilo ser possível. Sim, eu senti isso. Essa energia avassaladora…E isso fez brilhar a menina fada!
Eu era a fada mas tinham sido os meus pais a fazer magia!! J
Magnífica visão a de ontem à noite… estava meio esquecida ou pelo menos há muito que não me visitava o consciente. E deixou-me tão feliz!
Percebi logo após este sentimento, que desde então nunca mais eu largara a fada e minha varinha de condão… Os meus pais tinham-me abrilhantado e empoderado para sempre…
Aquela noite deixou em mim marcas profundas que posso resumir assim: AMOR e GRATIDÃO.
Existiu em tempos uma fotografia tirada na escola nesse dia que, modestamente – posso presumir – retratou a minha alegria dentro daquele vestido.
Mas o melhor álbum é o que desfolho com o pensamento e esta memória está cristalizada em mim. De tão forte não corre o risco de ser perdida.

Grata aos meus pais, pela lição.
Bem Hajam.

Maura

sábado, 14 de novembro de 2015

Do Terror ao Amor

Este blog onde vos escrevo é  prova singela da latitute e amplitude da liberdade, no caso liberdade de expressão, nas sociedades ocidentais a que pertencemos.
Mas deixem-me usar desta liberdade para fazer jus à minha condição ocidental e, antes de mais, lamentar (mais do que condenar - quem sou eu?!!) as mortes do atentado em Paris...

Acho os atentados hediondos mas eles colocam a mancha no pano branco?!!
Não, o pano não era branco... A cultura ocidental ingere-se constantemente nos assuntos islâmicos e na sua cultura... A Guerra Civil Síria é um conflito entre fronteiras islâmicas que se agudizou com a entrada de tropas ocidentais, que fazem guerra na procura de uma paz que não é a sua.

Chegados a este ponto, os países ocidentais talvez já devessem ter percebido que estão a lidar com pessoas com crenças existenciais e culturais diametralmente díspares da que a sociedade ocidental propaga e acredita.

Assim, questiono-me se fará sentido impormos os nossos princípios, valores e crenças (ocidentais) aos povos islâmicos?! É que na verdade é isso que fazemos quando entramos no país deles a dizer: "Não queremos aqui guerra"; "queremos proteger as VOSSAS populações civis".

Eu não estou a favor do caos islâmico, mas vejo uma certa arrogância ocidental ao arrogar-se dona de uma verdade Universal...No nosso conceito de liberdade não cabe a liberdade de os deixar governar os países deles à sua maneira? De procurarem por eles próprios as suas soluções, de acordo com os seus padrões? De fazerem o seu processo evolutivo, com o nível de consciência que possuem?

Com isto não estou OBVIAMENTE a dizer que devemos deixá-los matar impunemente mas a verdade é que estamos entre um conflito de civilizações. Civilizações essas que de forma recíproca procuram prevalecer uma sobre a outra.
Coisa perfeitamente inútil porque não faz sentido ver uma civilização à luz dos princípios de outra. Ainda por cima, quando são completamente diferentes... Não são só um bocadinho, são completamente: from the bottom to the top! Tudo diferente, construídas sobre plataformas de desenvolvimento antagónicas...

O ocidente não pode vestir o casaquinho da vítima e dizer que não previu tudo isto... Isto é o preço correlativo de não os deixarmos ser o que são, nos países deles.

E estou perfeitamente à vontade para o dizer porque, ao contrário de uma larga maioria de portugueses, defendi - e defendo - a vinda de refugiados para a Europa...Eu não sou é hipócrita, de pensar que vamos lá meter-nos na Síria e isso não nos traz quaisquer consequências...


Podemos não ser consensuais, mas temos que ser coerentes: se nos queremos ingerir nos assuntos deles e salvar as populações, óptimo! EU DEFENDO ISTO, mas tenhamos a coragem de assumir os riscos inerentes. E sobretudo, preparemo-nos para eles.

Não podemos querer é chuva na eira e sol no nabal, não podemos é querer ir combater na casa dos outros e achar que entramos na nossa e que fica tudo em paz.

As diferenças são para ser respeitadas. As nossas e as deles. Já se percebeu que eles jamais quererão ser governados pelo mesmo sistema político e social que nós.

Sejamos honestos com a nossa própria civilização e admitamos que somos escravos da nossa própria liberdade.

E queremos impô-la a quem não a valoriza, a quem a dispensa...

Agora se querem um resquício de humanidade: sim, salvemos a Síria e todos os inocentes que lá vivem mas na verdade não nos façamos de vítimas porque fomos nós que lá fomos ingerir-nos...

Sim, eu sei que eles violaram todos os direitos humanos e que segundo os preceitos de Direito Internacional Privado estamos legalmente legitimados para lá entrarmos e encetarmos uma guerra em nome da paz... mas "antropologicamente" falando, fará sentido impormos o nosso nível de "evolução" a outra civilização, dentro das suas próprias fronteiras?!

Isto é a história da Siría mas podia ser a história do Afeganistão ou de qualquer outra estado islâmico... Isto é um confronto de civilizações puro e duro.
Um peixe nunca trepará a uma árvore. Um peixe nunca será macaco.

O BEM SEMPRE PREVALECERÁ, MAS NÃO PODE SER IMPOSTO, PORQUE QUANDO O É TORNA-SE TÃO MAU COMO O MAL.


Namaste.



domingo, 30 de agosto de 2015

SEMPRE A CORES

Vou colorir a vida
Pintá-la a lápis de cor
Como se fosse
Um livro de uma criança,
Vou trazer na lembrança
os ensinamentos do amor.

Vou dar-lhe um dégradé
ou pintá-la a liso,
logo se vê!
Mas vou colorir
cada espaço em branco
da cor que ditar o momento
ou como for o chamamento.

Vou colorir de emoção
e pintar com o coração
porque tenho uma tela

e uma vida tão bela…

:-)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Que Linda Falua...


 
Se há dias e horas,
E momentos de glória,
Palcos e holofotes radiosos,
Há noites e momentos,
De luares perdidos,
Esquecidos,
No escuro e inebriante negro do céu!
 
Se há dias felizes,
Há noites de silêncio mudo,
No fluxo distante dessa torrente…
 
Com o nascer do sol,
Despede-te das estrelas
E não saberás se voltas a vê-las…
Mesmo que tenham hora marcada,
Não há astrolábio na maré navegada!
 
Do dia para a noite…
Tudo se segue sucessivamente.
 
Ilumina-te o SOL ou a LUA
De onde vem a luz nada importará…
Que se faça a travessia.
O canto em ti restará:
“Que linda falua…”

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Não tomes analgésicos

A dor precisa de ser sentida.
Precisa ter espaço para existir quando acontece em ti.
Sente a dor. Não a negues, não a reprimas, senão ela vai ficar presa, toda acumulada, à espera de ser processada.
Sem vitimizações, a dor transmuta.
A dor não cai e desaparece, ela tem que ser chorada e vivida para ser deixada.
É um processo de digestão!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O mundo em mim

Há um mundo que trago dentro de mim,
composto de coisas que não sei onde aprendi...
Mas trago as cores e os sabores, as texturas e as formas,
os olhares e os cheiros...

Trago o mundo inteiro dentro de mim...
Viajo por dentro e vou ao fundo e no meu limite visito o infinito.

Trago as palavras, as pessoas, os traseuntes, os amigos, as flores...

Eu trago o mundo em mim
e sem o ter cruzado ainda sei dele
e que ele está lá para mim...

Viajo e visito-me e transporto esse TODO em mim.
Eu trago tudo e está aqui!

Namaste.