A primeira vez que ouvi falar de "self actualizing people",
foi
através desse verdadeiro mestre que foi Dr. Wayne Dyer. Lia eu as primeiras páginas
do seu livro "I Can see clearly now" (infelizmente, tanto quanto sei, ainda não traduzido para
português).
Fiquei ligada a esta ideia de "self-actualizing
people", pessoas que tem uma tendência inata para serem o melhor que
podem ser, inconvencionais, diferentes da maioria das pessoas, porque pensam
fora dos padrões instituídos e institucionalizados. Fez eco em mim o conceito.
Identifiquei-me, de alguma forma, com aquela descrição.
Dyer definiu-as como pessoas que procuram ser o melhor que esta ao seu
alcance ser, que se empenham em ser a melhor versão de si mesmas.
Imediatamente o que me perpassou o pensamento é que o mundo seria com
certeza um lugar melhor se todos vivessem nessa melhor versão de si.
Cada um de nós individualmente tem um potencial por explorar, que pode
fazer uma notável diferença na vida de todos nós em colectivo.
Imagina a melhor versão de ti e diz-me se não vês uma pessoa mais paciente
ou mais tolerante ou mais esclarecida ou mais decidida ou mais carinhosa ou
mais sociável, ou mais cuidadosa ou mais atenta ou mais satisfeita ou mais
alegre ou mais magra ou mais gorda ou... o que quer que seja o melhor que esta
ao teu alcance ser...
Tenho por certo que se todos nós investíssemos em ser o melhor de nós,
seriamos todos pessoas mais felizes.
Pessoas mais realizadas e mais completas, são sempre pessoas mais felizes.
Então o que nos vem impedindo de ser assim? - pergunta que parece impor-se.
Várias limitações nos afastam do nosso potencial. Todas criadas por nós, invariavelmente.
Tenhamos nós a coragem de admitir isto e metade do caminho fica feito...
Mas como admitir que podemos fazer mais por nos mesmos se, provavelmente
nem estamos conscientes de nós?
Diria pois que, primeiro que tudo, é preciso que cada pessoa se entenda a
si mesma, que se conheça, que olhe no espelho do seu ser e se veja.
Um espelho só reflecte o que lhe é mostrado. Mostremo-nos a nós próprios
exactamente como somos e queiramos ver as nossas virtudes, os nossos pontos
fortes, as nossas capacidades e talentos, vendo também com toda a honestidade
os nossos defeitos, os nossos pontos fracos, as nossas dificuldades e os nossos
medos...
Com isto estaremos perante a figura mais fiel de nós, não é mais um esboço,
um desenho, nem uma pintura. Não é mais uma realidade retratada por alguém
exterior a nós. Somos nós.
Aqui chegados é agora mais claro o que podemos melhorar, que aspectos de
nós podemos elevar a outro nível, o que ainda podemos desafiar em nós, o que
podemos tentar fazer diferente para chegar a um resultado melhor. Um resultado
que melhor nos sirva, que nos torne efectivamente melhores seres no nosso
dia-a-dia.
Enchamo-nos de coragem para matar os nossos monstros, vencer os medos que
nos dominam e perceber por que porta entraram em nós.
As portas pelas quais os nossos medos acedem chamam-se crenças.
Tudo está no que nos acreditamos ser verdade.
Se acreditamos que não somos bons na nossa profissão, nunca seremos mais
que razoáveis, na melhor das hipóteses!
Se acreditarmos que somos motoramente descordenados ou desajeitados nos
nossos movimentos nunca tentaremos dançar ou fazer ginástica rítmica.
Poderemos, eventualmente, ter deixado para trás uma brilhante carreira.
Se acreditarmos que não sabemos socializar nunca seremos boas companhias, porque
estaremos fechados em nós, num jogo de
permanente defesa que nos isola de todas
as infindas possibilidades que conhecer novas pessoas nos traz...
Tudo isso em que acreditamos, acreditamos por uma razão. Temos
efectivamente razões históricas para acreditar em tudo o que acreditamos.
Foi-nos ensinado, foi-nos socialmente imposto ou induzido/introduzido no
nosso subconsciente por infindos hábitos (culturais ou familiares) e processos
repetitivos.
Claramente a criança a quem os pais chamavam de estúpida quando errava vai
ser um adulto com uma crença ao nível da sua identidade que o faz acreditar não
ser capaz.
Da mesma forma, a criança a quem foi transmitido, ainda que indirectamente,
que uma profissão artística não tem futuro, crescerá com uma crença ao nível do
comportamento, que fará com que não seja um adulto bem sucedido no mundo
das artes - e muito, muito provavelmente
– tão pouco se dedicará ao assunto.
Enfim, os exemplos podem multiplicar-se para dizer que o nosso sistema de
crenças influi determinantemente na forma como estamos no mundo.
Então das premissas tiramos a conclusão: para chegarmos ao melhor de nós
teremos que descartar as velhas crenças que já não nos servem (ou nunca
serviram).
É provável que neste processo nos tenhamos reinventado e tomado uma nova
forma.
Mas será a única maneira de termos a certeza que não ficaremos aquém de nos
próprios.
Viver da e na nossa melhor versão, em última instancia, é um dever de
gratidão para com a nossa existência.
Os "selfmade man/woman"
de hoje são "self actualized people",
que se "auto-fazem", começando em si a construção de um mundo melhor.
Namaste