No meio de um acalorado arguir de
pretensas razões, vulgo, troca acesa de pontos de vista opostos, vulgo mais
ainda, conversa discordante a roçar a discussão, dei por mim a chegar a uma
sábia conclusão !!!
Assim para começar ainda achei
estranho tal clarividência logo a meio de um processo inequivocamente doloroso,
mas logo percebi: a minha mente tinha feito um atalho!
Na verdade o atalho mais não foi
que a consciencialização a frio da “Lei da Acção e Reacção”, aquela que Newton
descobriu há uns séculos atrás e que determina que para cada acção existirá uma
reação oposta e de mesma intensidade.
Considerando que esta lei só é
aplicável à esfera material e não interpessoal (Newton deve tê-la descoberto literalmente
a meio de uma batalha campal) talvez seja melhor aqui invocar a Lei da Causa e
Efeito, essa sim mais a propósito das relações intra e interpessoais e que diz
basicamente a mesma coisa mas aplicável a condições/situações, ou seja,
condições específicas inevitavelmente levam a resultados correspondentes.
Pois bem, conversa vai, conversa
vem e a dada altura quis testemunhar aquilo de fora. Fiz esse exercício mental
e aí, nesse instante deu-se a clarividência: havia um movimento “looping” naquela
interacção. Ou “boomerang” ou círculo-vicioso…Qualquer uma das imagens serve
para ilustrar a coisa…
Tanto eu como o meu interlocutor
estávamos a reagir emocionalmente, baseando-nos num padrão estímulo-resposta,
sobre o qual nenhum de nós estava a ter controlo.
O meu comportamento e postura
tinham tocado numa âncora inconsciente do meu interlocutor despoletando nele
uma resposta negativa.
Âncoras inconscientes são aquelas
âncoras emocionais que todos nós temos e que, tal como o nome sugere, de tão
fundadas não nos deixam mover dali. São emoções que temos associadas/agregadas
a determinado comportamento de outrem ou a um determinado evento externo.
Esse comportamento ou evento está
gravado e arrumado na mesma gaveta da emoção que ele despoleta, pelo que,
sempre que se regista o primeiro (comportamento/evento externo) somos tomados
pela emoção que lhe está inconscientemente associada.
Uma vez feita a faísca a emoção
negativa manifesta-se!
Pois bem, eu tinha com um determinado
comportamento, accionado um desses “trigger points” (gatilhos) do meu
interlocutor, o que desencadeou uma resposta negativa, agindo de uma
determinada maneira...Maneira essa que seguidamente accionou um dos meus
“trigger points”, sucedendo-se a minha reacção negativa ao estímulo
apresentado.
Aqui está o efeito
“looping/boomerang ou vicioso”.
1º estágio – A resposta do
meu interlocutor a qualquer coisa no meu comportamento.
2º estágio - A minha
reacção àquele inexplicável humor. Inexplicável porque não tinha ideia de
que o meu comportamento tinha iniciado aquele processo emocional.
Portanto, agora estou a reagir à
reacção dele..
E adivinhem: A pessoa vai reagir
à minha reacção!
…
O meu interlocutor não conseguiu
identificar que estava a reagir em função do meu comportamento, ficando
irritado e eu passei a estar irritada também porque o comportamento da pessoa
(expressões faciais, postura e palavras) tocou cá o sino que diz que aquilo é
“desconsideração” e, por sua vez, accionou o meu gatilho. Disparei.
Não fosse a clarividência "Newtoniana"
e o círculo tinha-se perpetuado por mais uns quantos tiros certamente…
A única maneira de sair do
círculo é trazer a emoção à consciência e perceber friamente que, de parte a
parte, a coisa se deu porque houve emoções incapazes de ser contidas, que foram
instantânea e automaticamente desencadeadas pelo comportamento de outrem.
Âncoras emocionais não trazidas
ao consciente podem ser seriamente nefastas em todas as relações que
construímos! Tudo espremido é este o sumo.
A melhor maneira de dissolver
estas âncoras é mesmo despertar para a sua existência em nós porque uma vez
conhecidas elas perdem grande parte do seu poder e influência (mais uma vez a dita lei da causa-efeito).
Vale a pena então pensarmos que
âncoras temos e a que comportamentos/factos ou eventos externos estão
associadas, lembrando-nos que só nós somos responsáveis pelas nossas emoções a
cada momento e a cada circunstância.
Por mais voltas que demos, nós - e apenas nós - somos responsáveis pelos nossos meandros. E no que toca às
nossas emoções, (com ou sem Newton à mistura) há sítios onde vamos sozinhos.
Namaste.