terça-feira, 20 de novembro de 2018

SÍNTESE


Fui o som e o movimento,
O sabor e o cheiro,
O princípio e o fim,
O agora e o talvez.
Fui a pergunta e a resposta,
A dor e o cansaço,
Fui um pedaço
De amor no mundo...
E elevando o profundo
Fui a mensagem e o mensageiro,
Eu por inteiro.
Fui luz e fui calor,
Poema e prosa,
Rima e texto corrido,
Fui como doido varrido.
Toque e matéria,
Coração e artéria.
Fui partículas e todo,
Fui adeus e magia.
Fragmento de infinito.
A tese e a antítese.
Fui síntese... afinal.





sábado, 27 de outubro de 2018

Loba solitária



Podes saber de alcateias
Mas serás solitária,
Podes conhecer estratégias conjuntas,
Mas vais caçar e descansar sozinha.
Lambendo as tuas feridas,
na sombra encontrada
ao longo da jornada.

Podes ser loba
E desconhecer mais elementos,
Mas a tua alma de poder
Reúne-se nos fragmentos.

Loba uiva
E chama a noite
Faz o teu caminho
e segue a Lua.

Loba solitária
Serás só tu.
Darás pelos teus filhos a pele,
O teu trilho o teu caminho.

Loba uiva
E aguarda o dia
Encanta-te com a tundra
E segue o Sol.


COISAS DA(s) VIDA(s)


Já me vi de todos os ângulos e perspectivas.
Já estive perto da loucura e longe da solidão.
A vida já me atirou com quase tudo.
Não há réstia de espanto, nem ponta de medo.
Sucumbiram mas eu não!
Como as pedras na erosão,
No fim já não restam ilusões
Fica o que fica,
Tudo a ser o que é!
Em várias dimensões.

Os sonhos esses passam a ter braços e pernas e coração e olhos,
Que, como pranchas, me catapultam nesta existência.
Sou, vidro frágil, gasto, delapidado
E diamante, duro, puro brilho lapidado
E o que o amor sublimou, foi isso que em mim ficou.
Já fui tudo e de várias formas
Agora sou uma projecção apenas, do mundo que me olha.

O que não me define apenas aparece ao que me vê.

Namastê ❤

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Maturar


Passas correndo
Entre o que és e o que foste
e questionas a vida
sabendo que nada sabes

Vives passando
E é nos pássaros, nas flores e no mar
Que sempre te vais encontrar,
De sorriso aberto e coração a transbordar

Caminhas a passo firme
Ou mesmo cambaleando
E sentes que viver
É, na verdade, ir desenrolando
Um livro de histórias,
Um conto de lições

Passa correndo
O tempo por ti
e tu questionando
vais também degustando
O vinho que foi uva
E se aprimorou assim.



E passas correndo
entre o que és e o que foste
porque jamais alguém é para sempre o mesmo!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Estações da Vida

Já vivi no verão e no inverno
E sobrevivi ao inferno e ao gelo
Sem estilhaçar estalactites
Sem, no vento, mover uma pena

Mas já fiz tempestades
E já reuni destroços de furacões que passaram
Já passeei à chuva e já dancei ao sol
Já vi morrer e já vi nascer
Já o tempo deixei cair,
Como folhas caducas de Outono

Perdi-me e encontrei-me
Na translucidez opaca da vida
Às vezes sem princípio  
Outras sem fim…
Num e noutro caso
Acabei na primavera de mim.

E um dia alguém me disse:

“a vida é como as estações do ano”...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Um dia...

A ti que pensas que controlas a vida, talvez ainda vás a tempo de mudar de ideias…Ou muda-tas ela um dia.
A ti que achas que controlas tudo e que és dono da vida, a ti que tens o ego ao comando, a ti que trabalhas dia e noite e te esqueces que a vida são momentos e sentimentos, a ti que prescindiste de ti e da tua verdade para viveres o que é confortável, a ti que vestes de puritano mas és outro pelas costas, a ti que te calas, que baixas a cabeça, que segues em fila, que permites tudo, a ti que és indiferente porque é mais fácil, que ligas às coisas mas esqueces as pessoas, a ti que perdeste o valor do amor pelo caminho, que azedaste e te tornaste seco e áspero e és agora uma alma apagada, a ti que não acreditas em nada, que vives no futuro ou te enterraste junto com o passado, porque não sabes lidar com o teu hoje…
Um dia vais perceber que todas as vezes que caíste foi a vida a forcar-te a “entregar os pontos” e a fazeres-lhe uma vénia, vais perceber que houve momentos em tiveste a vida na mão apenas pelo facto de te ter sido dada escolha. Vais perceber que houve um tempo que estavas a tempo de tudo e que tinhas tudo para ser feliz…que a vida passou num ápice, que os teus filhos cresceram sem teres burilado uma só aresta, vais perceber quanto não sorriste e o quanto fugiste à verdade, que foste escravo da complacência e do cansaço. Um dia vais perceber que no deserto que te tornaste não nascem flores porque o deserto é árido, seco e mata.
Um dia vais perceber que aqui só há um tempo e que esse tempo se chama Hoje!
Encontramo-nos noutra vida, numa dessas tantas a que viremos, até percebermos tudo!


Namaste

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

13 Dez. 2016

O número é redondo: 35. A quantidade de primaveras a florescer em mim.
Faço um balanço. A cada ano neste dia olho para trás. Retiro-lhe a saudade. Gosto de olhar para trás como espectadora de mim mesma, sem que o apego me tome, sem me confundir com o sujeito da história – que afinal sou eu.
Olho como se atrás de mim visse resvalar uma Íngreme escadaria, em que cada momento do passado é um degrau dessa escadaria que me levou onde estou.
Delicia-me o que ficou para trás e hoje cumpre-me seriamente agradecer à vida todos os presentes que me tem dado: as lágrimas e os sorrisos, os dramas e as comédias.
Acho que o que eu agradeço mesmo é isto, esta capacidade aprendida de saber agradecer as lágrimas e as dificuldades. E assim sendo, não há nada que mudasse porque nestes 35 anos fui abençoada pela consciência de saber que tudo esteve e está no devido sítio.
Por dentro, num nível muito íntimo até, agradeço ao Universo todas as pessoas com as quais me cruzei nalguma altura destes deliciosos anos. Todas. E quando digo todas, são mesmo TODAS. Sinto-me ligada a todas elas. Aquelas que já estiveram e já não estão e até aquelas que acharam nunca ter estado e nunca deixaram de estar. Da senhora que há muitos anos atrás ia sentada ao meu lado no autocarro e que desceu na paragem antes da minha no trajecto Oeiras – S. Marcos, àquela que no metro de Londres me sorriu quando notou nos meus olhos o vazio, passando pelo rapaz que me servia os cafés na Waterstones de St. Albans - o meu sítio de eleição - ou pessoas que só vi uma vez num desses acasos do destino… milhões e milhões de outros. De ilustres seres que me tocaram à sua passagem apenas com a subtileza da sua existência.
Talvez por isso não me sinta só porque acho que o mundo está salpicado de gente fascinante. Ao nível da alma tenho uma vida rica em relações humanas e em abono da verdade tenho tido a sorte e o prazer de me cruzar com pessoas fantásticas, em todos os sectores da minha vida.
Guardo-as pois neste livro gigante, onde colecciono contos e histórias, de vários personagens, seres e cenários…Poder abrir este livro de quando em vez e assistir a isto é um espectáculo imperdível, para o qual faço questão de pagar o meu bilhete todos os dias. Vale bem a pena.
E há dias – oh se há dias - em que acho que sou louca por dizer estas coisas porque há lá dias em que não vejo bem isto…e em que tenho que me esforçar… Mas não é que, com mais ou menos demora, acabo sempre por ver!?
Acredito pois que a vida nos presenteia por esse “esforço” consciente e nos dá de volta tudo o que ousamos acreditar no coração: Quando já quase acreditava que o desejo de ter um filho estava adiado ad eternum, a esperança iluminou-me o caminho e fez-me mudar todas as circunstâncias para que agora, hoje, celebre a minha existência a dobrar, trazendo dentro de mim, de mãos dadas com a minha criança, outra criança para amar.
A minha filha foi o melhor presente que podia ter este ano, é O presente. Uma dádiva para a vida.
Mas sim, este ano a vida foi generosa comigo. Voltou a dar-me muitas experiências, muitos lugares, diferentes países, diversas pessoas, inúmeros sentires e viveres. Fins e recomeços.
Então hoje, em dia de balanço e balancete, o meu hino é de GRATIDÃO, de profundo RESPEITO por essa força maior, que me guia e me ilumina e de imenso AMOR por todos aqueles com quem até hoje fiz caminho. A todos vos devo um bocadinho de mim.

Bem Hajam por aí estarem. Celebremos a vida.


NAMASTE (significa EU HONRO O SÍTIO EM TI ONDE TODOS SOMOS UM)